sexta-feira, 30 de março de 2018

Romances e as Relações Humanas - ate aonde estamos sendo influenciados?

     Olá meninos e meninas de Pemberley.

Hoje vim trazer uma reflexão um pouco séria, que recentemente me deixou bastante preocupada.
Tenho participado de muitos grupos e fóruns de leitores e leitoras pelas redes sociais, e em todos eles encontrei uma coisa em comum: decepção amorosa causada por expectativas não atingidas. E qual não foi a minha surpresa ao perceber que tais expectativas foram criadas por livros?! 
Truísmos, clichês e caricaturas: Encontramos dos mais variados tipos nos romances literários. E esses romances têm influenciado na maneira como os leitores se relacionam, em todos os níveis de relacionamento. A realidade tem ficado aquém das expectativas, e consigo entender um pouco quando observo com um olhar mais crítico o que a literatura nos tem oferecido hoje.

Existe uma infinidade de romances espalhados mundo afora, todos eles com casais surreais. Nos romances, as mulheres são sensíveis, inteligentes, bonitas, meigas, calmas, corajosas, e quando falham em um ponto compensam no outro, três vezes mais. Os homens amam, sacrificam os próprios sonhos pela mulher amada, são românticos, inteligentes, observadores, sensíveis, cuidadosos, carinhosos, bonitos, fortes, protetores. Posso questionar: Será que os autores são isso tudo? Sabemos que em muitos casos autores utilizam a si mesmos como inspiração para alguns de seus personagens, mas eu não acredito que Nicholas Sparks, por exemplo, seja tão perfeito quanto os personagens de seus livros.

Os romances criam expectativas altíssimas nos jovens, algumas impossíveis. Casar com o primeiro namorado (pode acontecer, mas é raro), viver feliz para sempre, e, o mais importuno talvez, expectativa sobre a aparência do parceiro: nos livros são sempre perfeitos, com tudo aquilo que eu já citei acima; na vida real têm mau hálito, cheiro de suor, não cozinham bem, acordam de mau humor, têm variações hormonais, não gostam dos seus amigos.

Me pergunto: O que os jovens têm buscado em seus possíveis parceiros? Aquilo que os autores nos têm oferecido como bom e agradável, ou aquilo que eles podem conseguir retribuir? Não estou aqui criticando as obras ou os autores, mas procurando entender o mundo criado a partir deles: Um mundo com padrões inalcançáveis. Padrões esses incutidos na mente desses jovens pelas revistas, pela televisão, pelos livros. Cabe ao leitor/expectador diferenciar realidade de ficção, o que nem sempre é uma atividade fácil, e mais frequente do que seria saudável, uma atividade falha. Padrões de beleza, de saúde, de riqueza, estão cada vez mais distantes. E esses padrões não se aplicam apenas as pessoas.

Comparemos duas obras: Mil Dias em Veneza, de Marlena de Blasi, e Meus Vizinhos Italianos, de Tim Parks. Há uns anos eu li Marlena de Blasi. Em sua narrativa, descreve uma Itália perfeita - sem esgoto, sem dias feios, sem pessoas maçantes, onde tudo é lindo, harmonioso e pitoresco. Bucólico. Já Parks começa o livro - COMEÇA - descrevendo uma Itália diferente - quente, úmida, feia, poluída... Real. Pessoas fofoqueiras, cães barulhentos, comerciantes maliciosos. É óbvio que qualquer ser humano vai preferir a Itália de Marlena de Blasi. Contudo, só vamos encontrar a Itália de Parks.

No entanto, parafraseando o próprio Parks, um livro deve ser encarado como um estado de espírito. Não como um padrão de vida, um modelo de sociedade, uma criação de paradigmas. Depois de ler um livro sobre um amor intenso, tendemos a buscar em possíveis parceiros as características daquele ou daquela protagonista. Porém, só vamos encontrar reflexos das nossas próprias imperfeições. Em suma, temos procurado nos outros aquilo que nós mesmos não oferecemos. Exigimos dos nossos amigos, parceiros, parentes, que sejam o que nós não conseguimos ser. Nossos padrões estão altos. Tão altos quanto os padrões dos romances. Isso causa decepção, e decepção é a raiz do mal do século: depressão.

A quantidade de relatos de decepções amorosas causadas por expectativas não alcançadas é espantosamente grande. Vou contar uma história bem curtinha que li um dia desses:

A menina conta: "Ele disse que era romântico. Um dia me vendou e disse que ia me levar para jantar no lugar mais especial vida dele. Disse que era nesse lugar que havia tido as melhores experiências da vida dele, que tinha recebido as melhores notícias... Enfim, coloquei meu melhor vestido - um longo preto - uma sandália chiquérrima, arrasei na make e me preparei para um jantar pra lá de romântico. Foi a noite do nosso término, pois chegando ao "restaurante", me vi dentro do Mc Donald's." 

Desci nos comentários e encontrei a resposta do rapaz: "Preciso contextualizar para vocês essa situação. Eu não disse, em momento algum, que seria um jantar chique, caro ou luxuoso. Disse apenas que era especial para mim. Nasci e cresci numa cidade pequena, onde o maior acontecimento em 20 anos foi a vinda de um Mc Donald's para o centro da cidade. Foi naquele lugar que passei os momentos mais divertidos com meus colegas de escola; Foi naquele lugar que dei o meu primeiro beijo; Foi naquele lugar que eu li num jornal que havia passado para uma faculdade da cidade grande; Foi naquele lugar que chorei minha primeira decepção amorosa. Todas as minhas maiores experiências tem cheiro de hambúrguer, e eu queria que o meu noivado também tivesse."

Essa mulher pode ter perdido uma grande história de amor porque esperava que seu namorado fosse um homem como dos livros românticos: que armam um jantar romântico com velas e pétalas de rosas na beira da praia; ou que contratam um helicóptero e levam a mocinha para o alto de um arranha-céu; ou que vai num restaurante de um hotel 5 estrelas totalmente reservado para o casal. Mas a vida não flui dessa forma. Se esse homem existe, ele é casado, ou não se interessa pelo seu gênero!

No mundo de hoje, para a maioria dos jovens leitores - me incluo nessa categoria, os livros se tornaram um ponto de fuga da realidade. A questão é que ao invés de deixar o mundo ficcional lá dentro dos livros, e usa-lo para fugir da nossa realidade apenas por alguns minutos, os jovens estão cada vez mais trazendo para o mundo real esse labirinto de sonhos inalcançáveis que os deixa cada vez mais longe do chão, na expectativa de encontrar aquele personagem aqui e viver feliz para sempre; naquele castelo com muros altos onde os problemas não entram; naquele ambiente familiar harmonioso e feliz, onde todos se amam, inclusive os empregados; naquele mundo onde o bem sempre vence o mal sem muitos danos. Mas esse mundo, caros amigos, não existe em nosso planeta. Desista de procurar. A redoma só existe no livro de Stephen King. 

“O fio se perdeu; o labirinto perdeu-se, também. Agora nem sequer sabemos se nos rodeia um labirinto, um secreto cosmos, ou um caos fortuito. Nosso belo dever é imaginar que há um labirinto e um fio. Nunca daremos com o fio; talvez o encontremos para perdê-lo em um ato de fé, em uma cadência, no sonho, nas palavras que se chamam filosofia ou na pura e simples felicidade.” BORGES, Jorge Luis.

quarta-feira, 21 de março de 2018

[RESENHA] A Estrangeira - Chirlei Wandekoken

FOTO: daimaginacaoaescrita.com

Não é segredo pra ninguém o meu amor por romances de época. O cavalheirismo, a côrte, as expressões, a educação, o brilho do romance velado… Características que me arrebataram lá em Jane Austen e que me perseguem até hoje. Excetuando Carina Rissi, meu contato com autoras brasileiras nesse gênero era nulo (porque???): Tessa Dare, Lisa Kleypas, Julia Quinn, Sarah MacLean, Mary Balough, eram meu top 5. Mas aí, eu fui deliciosamente presenteada com A Estrangeira, pela própria Chirlei. E que deliciosa surpresa!

O primeiro ponto a me chamar a atenção foi a fluidez e a assertividade da narrativa. Uma coisa que me incomoda demais, e eu falei sobre isso por aqui e vou repetir sempre que necessário, é quando o tom da narrativa não bate com o período retratado. Chirlei não cometeu esse deslize. A narrativa foi muito bem construída, e nos prende da primeira à última página.

A narrativa tem um ponto interessante, que poucos tem capacidade de fazer bem feito: alternância entre presente e futuro. Então, fica aqui uma dica: fique atento às datas que constam no início dos capítulos, e também nas datas das cartas. Caso contrário, você vai ter que voltar algumas páginas pra entender melhor o enredo [sim, esse foi o meu caso].

Mas o que realmente nos segura são os incríveis personagens da trama. Eliza e o conde de Northumberland, os personagens centrais, dividem os holofotes com uma série de personagens que roubam a cena à cada aparição. Personagens esses que nos apresentam temas profundos, como lealdade, amor, respeito, honra, e também traição, incesto, mentiras, omissões. E nos deixam a pergunta: Até onde teríamos coragem de ir por amor?

Clichê de romances de época, que a gente AMA: o mocinho é liieeendo!!! Aquele homem que nos transforma em piriguetes literárias em algumas páginas, se é que vocês me entendem.

Em resumo, a história foi muito bem construída, os fatos surpreendem, e o que começa cheio de fios soltos termina muito bem fechado. Não tem como não suspirar!

Título Original: A Estrangeira
Autora: Chirlei Wandekoken
Editora: Pedrazul
Lançamento: 2017




Recomendo muitíssimo!
Beijinhos

Mih =)

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Orgulho e Preconceito nas Olimpíadas de Inverno

Olá meninos e meninas de Pemberley.
Tudo bom com vocês?!

Ontem (20 de fevereiro) foi a final da Patinação no Gelo em Dupla, e o primeiro lugar ficou com a Dupla Canadense. Mas não foi pra falar do Canadá que eu vim. Na verdade, quero que vocês desçam um pouquinho a tabela, mais precisamente para o 16º lugar.



Na segunda-feira, 19, a dupla Kavita Lorenz e Joti Polizoakis, da equipe alemã, arrebatou nosso coração e alma na pista de patinação artística. Apresentaram-se ao som de “Dawn” e “Liz On Top of the World”, do compositor italiano Dario Marianelli,  que pertencem a premiada trilha sonora de Orgulho e Preconceito (2005).


Orgulho e Preconceito é uma obra clássica que arrebata seguidores, fãs e adoradores ao redor do mundo há mais de 200 anos. E ver essa obra, particularmente a favorita desta autora, representada num dos esportes mais charmosos, se não o mais charmoso, praticado numa olimpíada, foi de arrepiar. Jane Austen ficaria orgulhosa!

Em 2016 a dupla já havia se apresentado ao som de uma trilha sonora também premiada, "La Valse d'Amélie", do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, 2001, conseguindo o 14º lugar.