quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Retrospectiva Literária 2015

Sim... Hoje é 31 de Dezembro, e aqui estamos nós, trabalhando arduamente para seu divertimento, conhecimento, e... Tá bom, parei. Mas o post de hoje é legal, acredite em mim!


Bem, hoje é dia de Retrospectiva. Olhar para trás e pensar em tudo o que fizemos, tudo o que deixamos de fazer, tudo o que começamos, tudo o que paramos na metade. Dia de finalizar, começar, recomeçar. É um dia de reflexão, de encontrar lições e aprendizagens nos últimos 364 dias. Sabe aquela meta que você estipulou desde 2011 e ainda não conseguiu cumprir? Então, está na hora de deixá-la para trás. Não desistir dela, apenas se convencer de que não é pra ser, e traçar novos planos, afinal o nome é ANO NOVO por algum motivo. [Reflita sobre isso com calma depois.]
Deixando a parte psico-filosófica de lado, somos um blog Literário, sendo assim, nossa retrospectiva só pode ser... [tambores e música de suspense] Literário! Eeeeeee \o/ \o/ \o/ \o/ Está vendo essa estante charmosa do Skoob aqui ao lado? Pois então, falaremos sobre o que lemos esse ano e que mais nos marcou, positiva e negativamente. E como vocês sabem, somos várias garotas unidas em prol de Pemberley, e sorteamos entre nós as questões. Então pra não deixar ninguém perdido, ao lado da pergunta estará o nome de quem respondeu. Sem mais delongas, vamos às questões!

(Vanessa) A aventura que me tirou o fôlego:

         As aventuras de Hckleberry Finn, de Mark Twain.
O autor narra as peripécias do garoto, que, fugindo do pai que o maltratava, se aventura em uma jangada pelo rio Mississipi, na companhia de Jim, um escravo fugido. Os dois param em lugarejos ao longo do rio para se abastecerem de suprimentos, e em cada lugar acontece uma nova aventura. No final dá a sensação de não ter lido apenas uma história de aventura, mas várias.

(Thais) O terror que me deixou sem dormir:

         Sob a redoma, de Stephen King. 
Ganhei o livro de presente de aniversário e assim que comecei a ler não pude mais largar. O livro narra a história dos moradores de uma cidade do interior dos EUA que se vêem presos sem nenhuma explicação plausível por uma "redoma", um campo de força que os aprisiona e abandona a própria sorte.

(Michelle) O suspense mais eletrizante:

          Sangue na Neve, Jo Nesbø
É bem verdade que não li muitos suspenses esse ano, e por mais que esse não seja tããão eletrizante, Sangue na Neve me marcou, e eu não poderia deixar de citá-lo. A história de Olav, cheia de altos e baixos, decisões certas e erradas, interpretações corretas ou equivocadas, me prendeu à leitura, que foi fácil, e eu terminei em, juro, 3 horas. Simplesmente não conseguia parar. Recomendo. Resenha aqui!


(Jesiane) O romance que me fez suspirar:

         O diário de Bridget Jones, de Helen Fielding.
Conheci esse livro quando estava no ensino médio, época difícil para mim, por indicação da bibliotecária, comecei a ler, me apaixonei. Até hoje quando me sinto mal, triste ou desanimada pego os dois primeiros livros do seu lugar privilegiado da minha estante e volto a rir e suspirar com a vida da Bridget. Esse é o livro que sempre me faz suspirar.

(Raquel) A fantasia que me encantou:

         As crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis. 
As sete crônicas nos contam desde a criação de Nárnia até a batalha final dos narnianos. Apesar das adaptações cinematográficas serem boas, elas não contam - obviamente - toda a história, por isso é muito legal ler os livros. Além disso, Lewis escreve de uma forma extremamente leve e envolvente, o que torna a leitura divertidíssima. E para aqueles que acham que as crônicas são apenas “historiazinhas” infantis, saibam que, na verdade, é preciso que tenhamos uma sensibilidade bem aflorada para sermos capazes de perceber um conhecimento profundo nas coisas simples.

(Josana) A saga que me conquistou:

          Jogos vorazes, de Suzanne Collins.
Ela nos mostra que mesmo em meio a pobreza, passando por muitas dificuldades, perdendo pessoas importantes ao nosso redor, nos não podemos desistir de lutar por um mundo melhor, para que as pessoas tenham alguma chance de um futuro. Ela encanta o leitor logo nas primeiras páginas, nos mostrando que é algo que vale a pena ser lido e relido inúmeras vezes. Resenha aqui!


(Thais) O clássico que me marcou:

         O Morro dos ventos Uivantes, de Emily Brontë
O Morro dos ventos Uivantes é um livro fascinante, com uma grande história de amor, mas com um diferencial: esse livro surpreende com esse amor amaldiçoado, vingativo e intenso vivido por Heathcliff e Cathy.

(Deborah) O livro que me fez refletir:

As Estranhas e Belas Mágoas de Ava Lavander, de Leslye Walton.
 Me fez pensar sobre o quanto o que é desconhecido incomoda e provoca medo, e o quanto isso afeta aquele que sofre preconceito. Uma história muito bem desenvolvida e com leitura fluida e agradável. Recomendo. Resenha aqui!

(Maria) O livro que me fez rir:

         Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. 
A doçura encantadora do Sr Bingley e a urgência totalmente genuína da Sra Bennet proporcionam diálogos engraçadíssimos e situações hilárias - desde que só aconteça com eles. O humor despreocupado do Sr Bennet traz risadas singelas, porém difíceis de conter. Fato é que, Orgulho e Preconceito, além de ser um romance pleno, é também uma comédia sutil e inteligente, do jeito que eu gosto.


(Josana) O livro que me fez chorar:

         Em chamas, da saga Jogos Vorazes, de Suzanne Collins. 
Ele nos mostra que as pessoas não perderam a esperança em meio à repressão que sofriam ao verem Katniss e Peeta vencerem juntos os jogos vorazes. O livro me fez pensar na humanidade e os rumos que tomou. O que mais me marcou foi o ataque ao hospital, ver que atacavam inocentes. Ao mesmo tempo, mostra a luta pra se manter vivo; enquanto a capital quer mandar no que o povo faz, as pessoas começam a lutar pra mudar suas realidades. Resenha aqui!
 

(Michelle) O livro que me decepcionou:

         O Diabo Veste Prada, dLauren Weisberger
Li porque ganhei a sequência... e pela primeira vez achei um filme melhor do que o livro. Nem vou falar muito porque... estou decepcionada.

(Michelle) O livro que me surpreendeu:

         Meus Vizinhos Italianos, de Tim Parks. 
Iniciei a leitura por recomendação. Sabia que se tratava de uma biografia, e já imaginei uma narrativa histórica pontual. E me surpreendi positivamente com a narrativa desse autor inglês que conta em primeira pessoa suas aventuras e desventuras de modo irônico e divertido. Uma autobiografia que é quase um romance! Super-recomendo.


(Deborah) O livro que devorei:

A Ilha dos Dissidentes, de Bárbara Morais.
primeiro livro da autora possui protagonista feminina forte e que sofre alguns preconceitos, e tem uma história muito bem desenvolvida e pensada, que proporcionou uma leitura fluida e agradável de ler. Devorei!

(Jesiane) O livro que abandonei:

         Divergente, de Veronica Roth. 
Foi uma grande decepção para mim, odiei os personagens e a história. Tentei ir até o meio do livro mas a cada página a leitura era mais difícil, então decidi abandonar o livro e só assistir aos filmes, que por sinal, são melhores que a narrativa.

(Hanna) A capa que amei:

         Dançando sobre Cacos de Vidro, de Ka Hancock.


(Bruna) O thriller psicológico que me arrepiou:

         Identidade Roubada, de Chevy Stevens. 
Uma história intensa que me deixou aflita, porém me prendeu do início ao fim. A experiência assustadora e angustiante da protagonista bem como as passagens chocantes e reviravoltas me causaram não só arrepios como coração acelerado. Assustador, surpreendente, emocionante. De fato o que eu espero de um thriller psicológico!

(Aline) A frase que não saiu da minha cabeça:

          "Fios deixados ao léu por vezes se entrelaçam sozinhos, sem necessidade de agulhas ou fusos: se estiverem próximos, enrolam-se uns aos outros com a força de sua própria torção. E essa mesma torção pode, no transcurso natural das coisas, desmanchar o cordel resultante e refazer as meadas, devolvendo os fios a seu estado inicial." (As Sombras de Longbourn, Jo Baker)

Sempre gostei de metáforas sobre a vida. Essa me cativou pois a enxergo como uma alusão ao fato que a nossa essência permanece, mesmo que a vida nos leva para outros caminhos, independente das pessoas com quem nos relacionamos. Resenha aqui!


(Silvana) O(a) personagem do ano:

         Um personagem cativo na minha humilde opinião de leitora é aquele que no início não tem muito a oferecer, mas que ao decorrer da história ganha espaço, potencial e conquista sua admiração. Como personagem do ano, não posso deixar de falar sobre aquele que chegou despertando minha atenção e por fim conquistando meu coração, o Sr. Ian Clarke, do livro Destinado de Carina Rissi. O terceiro livro da Série Perdida se decorre através da visão do Sr.Clarke, a autora nos presenteia toda a profundidade de sentimentos que este querido personagem possui desde o primeiro livro e explora muito bem sua  personalidade que até então era pouco revelada nos livros anteriores. Se trata de uma deliciosa caça ao tesouro, descobrir cada cantinho da alma deste verdadeiro cavalheiro e se divertir com todo o seu carisma.

(Aline) O casal perfeito:

           Claire e Jamie, série Outlander, de Diana Gabaldon.
Depois de mais ou menos quatro mil páginas lidas, foi inevitável escolher os dois. É incrível acompanhar a história de amor desses dois personagens tão complexos, que pertencem a períodos diferentes, e que precisam aprender a confiar e a respeitar os segredos um do outro, ao mesmo tempo em que se apaixonam. A história dos dois não é nenhum conto de fadas, pois eles precisam enfrentar não só as dificuldades externas, como também a teimosia de cada um, o que leva a muitas discussões, para construírem um futuro juntos. Resenha aqui!

(Flávia) O(a) autor(a) revelação:

         FML Pepper. 
Me surpreendi com essa escritora niteroiense de fantasia! Ganhei o livro "Não Pare" de aniversário e deixei lá no cantinho por alguns meses, só comecei a ler porque achei que não era nacional (preconceito, mas estou tentando mudar!). Devorei o livro em um dia, e não sosseguei até comprar o próximo. Resenha aqui!



(Hanna) O(a) autor(a) que mais esteve presente entre as minhas leituras:

         Li Mendi, com os livros Alma Gêmea por Acaso, O Amor Está no Quarto ao Lado, A Verdadeira Bela, Coração de Pelúcia, O Mestre do Amor.


(Flavia) O gênero literário que mais li:

         Este ano foi bem variado, não teve um que se sobressaiu.

(Kerol) O gênero literário que preciso ler mais:

         Preciso ler mais Crônicas. Por ser um gênero literário na fronteira entre a literatura e o jornalismo, além da leitura por prazer, ler crônicas é um ótimo jeito de ter noções práticas de como escrevê-las.

(Bruna) O melhor livro nacional:

         De Repente Ana, de Marina Carvalho. 
Esta sequência é ainda melhor que o primeiro, Simplesmente Ana. Gostei dos capítulos intercalados pelas narrativas dos protagonistas. Neste livro além de amor encontramos humor e mistério. Sua narrativa leve e agradável nos envolve e diverte. Os trechos musicais dão um charme especial. Enfim, este livro me resgatou para a literatura nacional!


(Fernanda) O melhor livro que li em 2015:

         O melhor livro desse ano com toda certeza foi Uma curva no tempo, a história foi extremamente envolvente e muito diferente de todas que eu já li. Cada trecho do livro me prendeu de uma forma tão intensa que eu não conseguia largar, e o final até hoje (alguns meses depois de ler) ainda fica martelando na minha cabeça de uma forma que só quem já leu vai me entender. Resenha aqui!

Li em 2015 ....... livros.

Juntas, lemos 12 livros. Separadamente, entre 24 e 60 livros cada uma. Cada uma de nós tem seu próprio ritmo.

A minha meta literária para 2016 é:


         “Não vamos colocar meta...”, aliás, vamos sim! Subir de 24-60 para 36-72.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Sangue na Neve

Título no Brasil: Sangue na Neve
Título Original: Blod på snø
Autora: Jo Nesbø
Tradução: Gustavo Mesquita
Editora: Record
Páginas: 152
Sinopse: Olav tem apenas um talento: matar pessoas a sangue-frio. Não há nada que ele preze mais que ter o poder sobre a vida e a morte. Porém, sua natureza sensível é proporcional às suas habilidades como matador de aluguel. Uma vez tentou roubar bancos, mas não deu certo – ele se sentiu tão culpado que foi visitar uma das vítimas no hospital. Agenciar mulheres para prostituição, idem – Olav se apaixona muito fácil. O assassinato foi tudo que lhe restou.
Ele leva uma vida solitária em Oslo até se ver envolvido em um trabalho importante para um dos mais perigosos chefes do crime organizado na cidade, Daniel Hoffman. Ao aceitá-lo, Olav finalmente conhece a mulher da sua vida, mas logo se depara com dois problemas. O primeiro é que ela é a esposa do chefe. E o segundo é que ele foi contratado para matá-la.

Olav é um homem de poucos talentos. Segundo ele mesmo já concluiu, Matador de Aluguel é o único ramo que poderá seguir e ser bem sucedido. E Daniel Hoffman, o maior traficante de Oslo, sabendo disso, o contrata eventualmente para alguns serviços, que carinhosamente chamam de “encomenda”. Os assassinatos são bem feitos, sem marcas, sem vestígios. Olav já adquiriu experiência o suficiente para fazer com que as pistas apontem para tão longe quanto possível.
Com uma série de deficiências - dislexia, uma infância conturbada, educação precária, e uma tendência a se apaixonar facilmente - Olav nunca pensou muito antes de concluir um trabalho. Apenas fazia o que devia ser feito. Ate o dia em que resolveu pensar, seu maior erro. Hoffman o contrata para um novo trabalho: matar sua esposa que o estava traindo e fazer com que parecesse um assalto. Mas após pensar, e se apaixonar por sua vítima, decide salvar a vida de Corina e eliminar o amante, teoricamente, acabando com os problemas do chefe. E isso o torna o alvo.

Julguei um livro pela capa, e me surpreendi positivamente. Jo Nesbø construiu uma narrativa impressionante, que me fez me perder e encontrar sucessivamente no protagonista: um homem problemático, disléxico, que gosta de criar histórias. Ao final, não sabemos muito bem o que é a verdade e o que foi inventado, acrescentado ou modificado nas situações. Apenas sabemos que é um homem muito solitário, discreto e bom no que faz. Se é inteligente ou não, é difícil afirmar. É metódico, esperto, e possui um bom coração. Um matador a sangue frio com um bom coração: uma mistura interessante que vale a pena ser lida. 
O que mais me impressionou em Sangue na Neve foi justamente a narrativa. É simples e intrigante ao mesmo tempo! Olav é um personagem que foi sendo construído com o decorrer do livro. E as nuances da sua personalidade são intricadas com a história. Seu gosto por leitura e por criar histórias deixa no ar a pergunta "mas isso realmente aconteceu ou ele inventou essa parte?" E outra coisa que preciso ressaltar: A descrição física do personagem só se deu nos últimos capítulos, ou seja, a imagem que tinha de Olav era completamente diferente da real. Fiquei surpresa, e foi uma sensação divertida e surpresa ao ler que o homem que eu imaginava moreno, baixinho e sem graça é na verdade loiro, de cabelos compridos e olhos azuis! Adorei!
Apenas 152 páginas para cativar qualquer leitor. Super recomendo!!!

domingo, 20 de dezembro de 2015

Amuleto, Roberto Bolaño

Bom, Amuleto é a prova de que meu professor de Estudos Literários tem um gosto maravilhoso pra livros. Esse semestre ele nos deu uma lista com alguns livros, de onde deveríamos escolher um para ler e fazer uma análise valendo metade da nota do semestre. Porém, lá fui eu procurar a sinopse de todos e não me encantei por nenhum. Eis que na aula seguinte, quando já havia perdido as esperanças, meu professor escreve na lousa "BOLAÑO, Roberto. Amuleto" e diz que gostaria de acrescentar esse livro à nossa lista de opções. Meu semestre foi salvo.

Amuleto é um livro maravilhoso, porém, é péssimo como objeto de resenha porque, a meu ver, não pode ser resumido.

A narradora é Auxílio Lacouture, uma uruguaia que vive na Cidade do México e tem um estilo de vida um tanto exótico. Ela vive se hospedando de favor na casa de amigos, faz uns bicos de faxineira na faculdade e na casa de León Felipe e Pedro Garfias, mas a verdadeira paixão é a literatura. Por isso, frequenta a Faculdade de Filosofia e Letras e os bares onde os jovens poetas costumam se encontrar.

Pra mim a parte mais maravilhosa é a quantidade de referências históricas que o livro dá, é aquela sensação de "tenho que ler com o google aberto". Auxílio conhece poetas, pintoras, sobrevive ao massacre de Tlatelolco (escondida em uma cabine no banheiro feminino do quarto andar da faculdade lendo poemas de Pedro Garfias)... E todos esses personagens e, infelizmente o massacre, são reais. Inclusive, a própria Auxílio é inspirada em uma pessoa real: Alcira Soust Scaffo.

Ao mesmo tempo em que se perde em devaneios, Auxílio fala muito através de metáforas, por isso é um livro que pede bastante atenção. E o final é a chave de tudo. Tem tantas outras coisas que eu gostaria de dizer sobre esse livro, mas não quero tirar a graça da descoberta de alguém que vá ler, então só digo: leiam (rs).

Amuleto é um livro que me fez pensar ainda mais na cultura latina, pesquisar sobre poetas, acontecimentos e o massacre de Tlatelolco na Cidade do México. A sensação que eu tenho é que ele abriu meus horizontes e por isso mesmo se tornou um dos meus livros favoritos. Super recomendo a leitura!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

110 anos de Érico Veríssimo


Por Josana Walter

O escritor gaúcho Érico Veríssimo completaria 110 anos hoje. Ele nasceu no interior do Rio Grande do Sul, no município de Cruz Alta, e nos prestigiou com inúmeras obras, se consagrando um dos maiores escritores brasileiros com seus clássicos. Entre suas maiores obras estão Olhai os Lírios do Campo (1940), a trilogia O Tempo e o Vento (O continente, O retrato e O Arquipélago) que nos conta a formação do RS em 200 anos de história, com livros lançados nos anos de 1949, 1951 e 1962. O autor teve duas fases. Na primeira lançou livros como: Olhai os Lírios do Campo, Clarissa e O resto é Silêncio. Na segunda fase veio O Tempo e o Vento e Incidente em Antares. 


A obra que mais me marcou, e a muitos leitores, foi a trilogia O Tempo e o Vento, com personagens clássicos como Capitão  Rodrigo e Ana Terra. Ele nos mostra a ascensão e a queda política de estancieiros gaúchos, durante sua época e a brutalidade e violência ao longo de O Continente, a ascensão de uma família ao longo dos 200 anos retratados na trilogia, suas dificuldades que passam em meio a guerras e disputas políticas.



O continente se inicia com a clássica frase "Era uma noite fria de lua cheia", no episódio em em que o sobrado dos Cambará é cercado, por meio de relatos ao longo do livro e contado até o cerco naquela noite fria de lua cheia. O retrato nos trás a modernização das famílias gaúchas. O Arquipélago nos traz o fim da família junto com a queda de Getúlio Vargas, nos mostra a desintegração da família terra Cambará. A trilogia termina da mesma forma que começou com a frase "...era uma noite fria de lua cheia", contando em um livro a história da família Terra-Cambará.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Clube de Leitura - Livraria da Travessa e Editora Zahar pt.2

          No último dia 11 de dezembro estivemos representadas em mais um clube de Leitura da Livraria da Travessa CCBB em parceria com a editora Zahar, discutindo Alice no País das Maravilhas. Foi uma experiência muito gostosa e instrutiva. Trocas de opiniões, visões, interpretações e conhecimentos permearam o encontro. Com mulheres de diferentes idades e experiências, tivemos um debate muito rico a respeito desse clássico que completou 150 anos recentemente e aspectos que ressaltavam o Nonsense, as teorias Existencialistas e o apelo filosófico de Lewis de Carrol foram abordados e discutidos com prazer e leveza num debate que saiu daquele lugar comum do raso e do lúdico.  Dois pontos ressaltados nessa famosa obra de Lewis foram a Identidade e o tamanho - abordados pelo autor de forma clara com a resposta da menina para lagarta e para pomba; ora esses aspectos se confundiam, ora se dispersavam.
          Falamos um pouco também a respeito da vida do autor, todas as teorias a respeito de suas ações, suas motivações, e sua relação com a pequena Alice, a que inspirou suas histórias. Foi um ponto delicado, que gerou estranhamentos, e até mesmo preconceitos que impediram o desenvolvimento da leitura. Concluímos que a melhor maneira de ler e interpretar alguma obra é estando livre de interpretações externas, como comentários e críticas. Os comentários - em especial os da edição da editora Zahar - são muito úteis e instrutivos mas é melhor deixá-los para depois da primeira leitura.
          Outra conclusão a que chegamos foi que, assim como O Pequeno Príncipe, Alice deve ser lido várias vezes e em diferentes fases da vida, e interpretados unidos à experiências pessoais vividas em cada uma dessas fases.
Créditos na imagem
           Depois do debate, algumas de nós até decidiu reler o livro em busca de novas interpretações e visões desse País de Maravilhas. E realmente vale a pena. Esta autora já leu a obra mais de uma vez, e assume: momentos diferentes, interpretações diferentes!


          Até a próxima, onde discutiremos Sherlock Holmes. Desde já, estão todos convidados!

domingo, 13 de dezembro de 2015

Uma distopia com cheirinho de passado....


Tìtulo: Ilha dos dissidentes
Autora: Bárbara Morais
Editora: Gutenberg- Brasil
Páginas: 304
Ano: 2013

    Olá pessoal! Bem, como já disse em um texto antigo que escrevi aqui para o blog a literatura nacional está cheia de joias que, muitas vezes, não são muito bem divulgadas e por isso acabam passando despercebidos por nós leitores. Então eis me aqui de novo, para aumentar a lista de desejados de vocês!

Sinopse: SER LEVADA PARA uma cidade especial não estava nos planos de Sybil. Tudo o que ela mais queria era sair de Kali, zona paupérrima da guerra entre a União e o Império do Sol, e não precisar entrar para o exército. Mas ela nunca imaginou que pudesse ser um dos anômalos, um grupo especial de pessoas com mutações genéticas que os fazia ter habilidades sobre-humanas inacreditáveis. Como única sobrevivente de um naufrágio, ela agora irá se juntar a uma família adotiva na maior cidade de mutantes do continente e precisará se adaptar a uma nova realidade. E logo aprenderá que ser diferente pode ser ainda mais difícil que viver em um mundo em guerra.

    Conheci esse livro através de um vídeo resenha feito por Gabriel Utiyama (@gabritto) para o canal do Cabine Literária no youtube e o que me fez ficar curiosa e incluir esse livro na minha lista já gigante de desejados foi a seguinte frase: “ E o que acontece quando uma distopia futurista se encontra com os X-men.”, preciso dizer que essa comparação me deixou com várias pulgas atrás da orelha? Depois de um longo tempo (quase meio ano) consegui em fim comprar o primeiro volume da Trilogia Anômalos (a ideia era esperar sair a trilogia toda e comprar o Box bonitinho e tal, mas a curiosidade me venceu...Sim, sou fraca).
    Quando comecei a ler, pensei que o livro ia ser apenas mais uma história distópica para adolescentes que de alguma forma se tornam revolucionários e tentam derrubar o governo totalitarista (sim um molde bem conhecido por nós leitores não é mesmo), mas a história se mostrou muito mais profunda. Não se trata apenas da luta por um governo mais justo, mas trata problemas muito presentes ao longo da história da humanidade, nos fazendo olhar para o nosso passado e pensar que o nosso presente não é tão diferente do futuro “previsto pela Bárbara Morais.
Somos confrontados com problemas de preconceito incentivado pelo governo, as consequência das guerras, segregação, miséria, abandono e claro sobrevivência.
Esse primeiro volume da trilogia nos apresenta os personagens e o novo mundo em que vamos ser inseridos. Esse é o livro de apresentação do universo futurístico criado pela lindíssima e sensível Bárbara Morais.
    Agora vai a crítica negativa.... Tive problema para simpatizar e/ou me identificar com a personagem Sybil, talvez esse problema acabe nos próximos volumes!

    Pra fechar essa resenha deixo aqui um trecho do livro que me marcou muito:

“[...] E então começo a notar o que nossas vestes amarelas significam: as pessoas mudam de calçada para não passar perto, as mães escondem as crianças, os vendedores ambulantes se afastam. Temos portas, lojas, bebedouros,banheiros e vagões de trem diferentes. Temos cidades diferentes[...]”
P.S: Ficará à cargo de vocês se devo ou não fazer resenha dos outros dois volumes da trilogia então deixem um comentário aqui ou no post do Facebook!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Convite: Encontro de Fãs de Jane Austen RJ


Olá meninos e meninas do Rio de Janeiro!
Esse é um post extra especial para os/as cariocas de plantão!
No dia 17 de Janeiro de 2016 vai acontecer o Encontro de Fãs de Jane Austen do Rio de Janeiro. Uma realização das Garotas de Pemberley em parceria com a LRDO - autora do livro Primeiras Impressões, e com apoio das Editoras Pedrazul e Martin Claret, da Livraria da Travessa, e da querida Fernanda Avellar, do blog Profissão - Escritor, que nos ajudou com os brindes [Obrigadaaaaa]!!!

Convite inspirado no Encontro de Brasília, pela equipe do www.leitorasempre.com

Onde vai ser?

Na Livraria da Travessa do Shopping Leblon.
(Avenida Afrânio de Melo Franco, 290 - Leblon, Rio de Janeiro)


Quando vai ser?

Dia 17 de Janeiro de 2016, às 15h00


Teremos sorteios, brincadeiras, bate papo... Vocês não podem perder. Será uma tarde muito gostosa!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Livros que Mudaram Minha Vida [Fernanda]

   
Desde que eu comecei a ler cada palavra, parágrafo, trecho, cada livro que eu li me fizeram mudar de alguma forma, podendo ser uma mudança grandiosa ou uma pequenina, mas todos eles de certa forma me fizeram chegar no que eu sou hoje.

   Como o objetivo da postagem é colocar os livros que me mudaram de certa forma, eu não poderia colocar todos que eu já li, então fiz uma seleção de dois livros que realmente me transformaram.

   O primeiro deles foi um livro - que na verdade são três - da Martin Claret, um livro com três historias da nossa querida Jane Austen - Razão e sensibilidade, Orgulho e preconceito, Persuasão. Quando eu tinha 16 anos minha irmã, uma devoradora de livros, estava mais que decidida a me fazer amar os livros. Ela então decidiu me levar para a livraria Cultura na Av. Paulista para escolher um livro, mas como sabia que eu não ia pegar um por livre vontade, ela escolheu esse livro baseada na minha paixão por filmes românticos. Foi a partir desse momento que eu não larguei mais os livros, foi paixão a primeira leitura. Então realmente posso dizer que Jane Austen mudou minha vida para melhor.

   O outro livro que posso dizer que mudou minha vida foi um que encontrei sem querer na estante antiga aqui de casa, Agatha Chistie - O assassinato de Roger Ackroyd. Depois de me apaixonar pela Jane fiquei em uma fase onde só queria ler livros que fossem parecidos com os da Austen, e um dia, depois de ter lido todos o romances que tinha na estante, eu estava entediada e fui reclamar com a minha mãe, outra devoradora de livros. Ela foi na estante e pegou esse livro e falou “você vai amar”. E não é que ela estava certa??? Foi amor a segunda leitura. Depois de me apaixonar pela Agatha passei a ler gêneros mais variados .


   Esses foram os livros que mudaram completamente o rumo da minha vida, sem eles muito provávelmente eu não estaria aqui escrevendo e não pertenceria ao Clube do livro que amo tanto. Então só tenho a agradecer a essas maravilhosas escritoras e a minha mãe e irmã que me incentivaram a entrar nesse mundo da leitura.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Clube de Leitura - Livraria da Travessa e Editora Zahar

No dia 25 de novembro, o Clube da Leitura da Livraria da Travessa, filial CCBB, em parceria com a Editora Zahar, se reuniu para debater um clássico de Jane Austen, já publicado pela editora, e eu tive o prazer de estar presente, representando As Garotas de Pemberley, afinal, a reunião foi tão próxima ao meu trabalho que seria um crime se eu não fosse!

A Editora Zahar possui um incrível catálogo de clássicos publicados, e essa é a temática do Clube de Leitura da Travessa da CCBB - lembrando que cada Travessa possui seu próprio Clube de Leitura, com temáticas diferentes e parcerias diferentes. Esse foi o segundo encontro promovido por essa parceria, e foi muito produtivo e divertido. A editora estava representada por Hannah Caroline, e a mediadora do debate é a livreira Clara Crível.
Como eu já falei, o livro debatido foi Persuasão, de Jane Austen. Foram levantadas uma série de questões, como as críticas que Austen faz a sociedade de sua época, a sua postura feminista, a fonte de seus conhecimentos, e principalmente, a graça e sutileza somadas a ironia que a autora utiliza para montar seus personagens tão intrincados. E Persuasão é o maior exemplo disso. 
Com personagens nada comuns, o livro narra a história de Anne Elliot, que havia se apaixonado por Frederick Wentworth anos antes, mas que foi persuadida pela família a não dar prosseguimento ao relacionamento. Sete anos depois, eles se reencontram, ele capitão da marinha, e ela ainda solteira. E por mais que tentem evitar um ao outro, e até mesmo o sentimento que nutrem, continuam apaixonados. Mas agora Anne deve vencer todas as barreiras, e não se deixar ser persuadida. Pode parecer cliché, mas não é.
Leitoras presentes no Clube de Leitura de Novembro
A maior parte do debate girou em torno dos personagens secundários: Sir Elliot, um homem vaidoso ao extremo, beirando o narcisismo; Mary inconstante e exagerada; Lady Russell, uma viúva influente e de opiniões fortes. Austen não cria personagens rasos, e isso foi pauta da discussão. Para a grande maioria das leitoras presentes, esse foi o primeiro contato literário com Jane Austen; algumas já haviam assistido filmes e/ou séries adaptações de seus livros, mas com seus livros, esse foi o primeiro. Em algumas, a intensidade das descrições de Austen causou um certo estranhamento, em outras, tornou o livro ainda mais interessante. 
Risos, perguntas, discussões, opiniões, esclarecimentos. Foi um momento muito gostoso de descobertas e reafirmações. 
No próximo encontro, o Clube de Leitura de dezembro vai debater o clássico de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas, que completou 150 anos esse ano. E a Editora Zahar sorteou um exemplar lindo entre as presentes - Camila, parabéns novamente! E já declarou que em cada reunião, irão sortear um exemplar do livro do próximo debate. Fiquem ligados na nossa página, pois maiores divulgações do evento serão feitas por lá. E desde já, estão todos convidados!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Quer dar uma espiadinha? - Especial Distopias


Alguns de vocês devem estar pensando “Por que esta louca está usando o bordão do Pedro Bial como título pra uma resenha?”, certo? Já explico! A razão é que a resenha de hoje para o “Especial Distopias” do GDP é sobre o livro 1984. Começou a fazer sentido agora, né?

A história se passa em Londres, mas não existe mais Inglaterra ou Reino Unido. O mundo está dividido em Oceania, Eurásia e Lestásia, que hora são aliadas e hora inimigas da Oceania. O continente é controlado pelo Grande Irmão, figura que ninguém viu, mas adorado por todos. Existem quatro ministérios: Ministério do Amor reprimia o desejo, além de torturar os rebeldes; o Ministério da Verdade se encarregava de censurar as más notícias e de criar mentiras a serviço do Partido; o Ministério da Fartura administrava a fome e o Ministério da Paz conduzia os assuntos da guerra.

É proibido aos membros do partido questionar mesmo em pensamento, é proibido amar, é proibido sentir prazer, é proibido ficar sozinho, existe horário para acordar e dormir, uma nova língua está sendo criada para que não possam existir pensamentos discordantes, filhos são ensinados a denunciar possíveis subversões dos pais. E 85% da população, os proles, é totalmente alheia ao governo e vive em miséria.

O protagonista do livro é Winston, um funcionário do Ministério da Verdade que trabalha adulterando textos de verdades que deixaram de existir sobre o governo. Oi? Verdades que deixaram de existir? Sim! A partir do momento que não existem documentos ou nenhuma outra prova de que uma situação aconteceu, como ter certeza de que não é só uma alucinação?

Esse é o dilema de Wisnton. Entre seus vizinhos e colegas de trabalho, ele tenta se comportar como todos, seguindo a manada, mas trancado em sua casa, escondido da teletela que registra quase todos os seus movimentos, ele se permite questionar a realidade da sociedade em que vive. Só pelo fato de duvidar das verdades propagadas pelo partido, o protagonista já está cometendo um crime. Mas ele vai mais longe: começa a escrever um diário, mesmo sabendo que o preço disso é sua vida.  


Guerra é Paz
Liberdade é Escravidão
Ignorância é Força



Quem sou eu pra falar de George Orwell? 1984 estava na minha lista de leitura há uns 3 anos, mas só criei vergonha na cara para começar a leitura depois de ouvir minha professora de Teorias da Comunicação falar dele durante um semestre inteiro (obrigada, Ediene!). Sem dúvida, o melhor livro que já li. Não sou fã de distopias, mas a história me prendeu da primeira a última página. Fui obrigada a reduzir o ritmo de leitura para poder refletir mais sobre as críticas sociais abordadas e tentar fazer as devidas ligações com a realidade.

sábado, 28 de novembro de 2015

Às vezes, "eu te amo" é o mais difícil de dizer.


Título no Brasil:  Amy e Matthew
Título Original: Say What You Will
Autora: Cammie McGovern
Tradução: Raquel Zampil
Editora: Galera Record
Páginas: 336
Sinopse: Amy e Matthew não se conheciam realmente. Não eram amigos. Matthew sabia quem ela era, claro, mas ele também sabia quem eram várias outras pessoas que não eram seus amigos.Amy tinha uma eterna fachada de felicidade estampada em seu rosto, mesmo tendo uma debilitante deficiência que restringe seus movimentos. Matthew nunca planejou contar a Amy o que pensava, mas depois que a diz para enxergar a realidade e parar de se enganar, ela percebe que é exatamente de alguém assim que precisa. À medida que passam mais tempo juntos, Amy descobre que Matthew também tem seus problemas e segredos, e decide tentar ajudá-lo da mesma forma que ele a ajudou. E quando a relação que começou como uma amizade se transforma em outra coisa que nenhum dos dois esperava (ou sabe definir), eles percebem que falam tudo um para o outro... exceto o que mais importa

   Amy e Matthew é um daqueles livros que você devora em poucos dias de tão gostosa que é a leitura. Sua historia é simples e bonita que transmite uma mensagem super legal na forma como nossos protagonistas  enfrentam suas dificuldades e , principalmente, como eles aprendem com os seus erros.

    Nossos protagonistas apesar de serem completamente diferentes, cada um com suas dificuldades e problemas,  combinam de uma forma que somente eles entendem. Amy uma jovem inteligente que por conta de sua paralisia não possui muitos amigos e Matthew  um jovem que enfrenta problemas com TOC. Ambos conseguem, juntos, enfrentam seus medos e inseguranças da adolescência  e de suas próprias vidas.

    A autora usa de vários artifícios  para tornar a leitura interessante e nada cansativa, como por exemplo, os emails que os protagonistas trocam,  deixando o livro muito mais próximo da nossa realidade. Durante toda leitura Cammie McGovern nos faz torcer pelos personagens  e no final acabar amando os dois.  E o que me surpreendeu muito  foi a forma como a historia foi se desenvolvendo e fiquei mais satisfeita ainda com esse romance tão diferente do que costumamos ver. 


  Esse é o primeiro livro destinado a publico jovem adulto escrito pela autora que é uma das fundadoras do  Whole Children que dá assistência para crianças com necessidades especiais, o que muito provavelmente a incentivou a escrever essa história. 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

“Oh, admirável mundo novo, que encerra criaturas tais.” - Especial Distopia

por Aline Tavares


Título no Brasil: Admirável Mundo Novo
Título Original: Brave New Word
Autora: Aldous Huxley
Tradução: Lino Vallandro e Vidal Serrano
Editora: Biblioteca Azul
Páginas: 312

Sinopse: Uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, na qual a mera menção das antiquadas palavras “pai” e “mãe” produzem repugnância. Um mundo de pessoas programadas em laboratório, e adestradas para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento. Um mundo no qual a literatura, a música e o cinema só têm a função de solidificar o espírito de conformismo. Um universo que louva o avanço da técnica, a linha de montagem, a produção em série, a uniformidade, e que idolatra Henry Ford.

Essa é a visão desenvolvida no clarividente romance distópico de Aldous Huxley, que ao lado de 1984, de George Orwell, constituem os exemplos mais marcantes, na esfera literária, da tematização de estados autoritários. Se o livro de Orwell criticava acidamente os governos totalitários de esquerda e de direita, o terror do stalinismo e a barbárie do nazifascismo, em Huxley o objeto é a sociedade capitalista, industrial e tecnológica, em que a racionalidade se tornou a nova religião, em que a ciência é o novo ídolo, um mundo no qual a experiência do sujeito não parece mais fazer nenhum sentido, e no qual a obra de Shakespeare adquire tons revolucionários.

Entretanto, o moderno clássico de Huxley não é um mero exercício de futurismo ou de ficção científica. Trata-se, o que é mais grave, de um olhar agudo acerca das potencialidades autoritárias do próprio mundo em que vivemos.

A história de Admirável Mundo Novo foi desenvolvida em um futuro onde os seres humanos são pré-condicionados biologicamente e condicionados psicologicamente em uma sociedade dividida em castas, temos Bernard Marx, um psicológo Alfa-Mais, que por se sentir desajustado, passa a questionar a sociedade em que vive, e em uma viagem a um dos redutos “selvagens” que ainda existem conhece John, e o leva para a civilização. Porém John é incompreendido em ambos os ambientes, principalmente por ter pais, em um ambiente em que as crianças nascem em incubadoras.  Dessa maneira, a obra mostra um contraponto entre as sociedades tidas como primitivas e modernas, nos levando a reflexão do conceito de civilização.

No livro, a sociedade civilizada é aquela em que o ser humano é visto como uma máquina, orientado especificamente para o trabalho e para a produção. Nesse contexto, qualquer coisa que prejudique a produtividade, como a família e emoções como o amor foram abolidas. Todos pertencem a todos. Além disso, o hedonismo e um objetivo, obtido seja por meio do sexo ou de drogas como o alucinógeno SOMA.

Em um ambiente onde as pessoas não são condicionadas a questionar, as atitudes de Bernard e John são vistas como subversivas, principalmente as de John, uma vez que o rapaz é sensível, expressa seus sentimentos e conhece a obra de William Shakespeare, e se espanta com aquela sociedade estruturada racionalmente, tanto que o título do livro foi retirado da peça A Tempestade, a última escrita pelo Bardo, e que expressa esse estranhamento.

Aldous Huxley escreveu Admirável Mundo Novo em 1932 e hoje, 80 anos depois, é impressionante a capacidade profética da obra, uma vez que muitas das situações expostas no livro já são observadas na sociedade atual. Uma leitura obrigatória, que nos leva a reflexão sobre o papel da ciência, o avanço do capitalismo e a importância da reflexão crítica, das emoções e da literatura como instrumentos de transformação da sociedade.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

"Depois do fim, somente um amor inabalável pode nos ajudar a recomeçar"

por Aline Tavares


Título no Brasil: Beleza Perdida

Título Original: Making Faces

Autora: Amy Harmon

Tradução: Monique D'Orazio

Editora: Verus Editora

Páginas: 332
Sinopse: Ambrose Young é lindo — alto e musculoso, com cabelos que chegam aos ombros e olhos penetrantes. O tipo de beleza que poderia figurar na capa de um romance, e Fern Taylor saberia, pois devora esse tipo de livro desde os treze anos. Mas, por ele ser tão bonito, Fern nunca imaginou que poderia ter Ambrose... até tudo na vida dele mudar. Beleza perdida é a história de uma cidadezinha onde cinco jovens vão para a guerra e apenas um retorna. É uma história sobre perdas — perda coletiva, perda individual, perda da beleza, perda de vidas, perda de identidade, mas também ganhos incalculáveis. É um conto sobre o amor inabalável de uma garota por um guerreiro ferido. Este é um livro profundo e emocionante sobre a amizade que supera a tristeza, sobre o heroísmo que desafia as definições comuns, além de uma releitura moderna de A Bela e a Fera, que nos faz descobrir que há tanto beleza quanto ferocidade em todos nós.

Beleza Perdida é um daqueles livros que quando a gente termina a leitura, para e pensa: "Que. Livro. Lindo!!!". É uma história em que tudo se destaca: enredo, personagens, referências... A história possui três protagonistas super carismáticos que se revezam na narração, seja no tempo cronológico, seja nos flashbacks: Fernie Taylor, Ambrose Young e Bailey Sheen. 

Fern é uma garota inteligente que sonha em ser uma escritora de sucesso, e alimenta uma paixão secreta por Ambrose, o cara mais popular da escola, super campeão em luta greco-romana que como todo bom "heroi", possui seus próprios fantasmas. Porém, além do casal, temos o Bailey, primo da Fern e o maior fã do Ambrose, que apesar da distrofia muscular não é um garoto amargurado, muito pelo contrário: Bailey é inteligente, bem humorado e um excelente conselheiro. Os títulos de cada capítulo fazem referência a uma lista feita por Bailey quando era mais novo.

Amy Harmon utiliza de várias referências para construir essa história. Os valores cristãos (o pai da Fern é pastor) aparecem quando se discute responsabilidade, culpa e perda. Bailey é um grande fã de mitologia grega e utiliza a história de Hércules para motivar Ambrose durante a temporada de luta. A dinâmica do casal Fern e Ambrose é uma referência clara ao conto de fadas A Bela e a Fera, e os dois são grandes fãs de Shakespeare, e utilizam trechos de suas obras para expressar seus sentimentos.

Todas essas referências estão bem costuradas e somadas a alusão a fatos reais, como os atentados de 11 de setembro e os conflitos derivados; e situações que infelizmente fazem parte do cotidiano, como a violência doméstica, constroem uma trama sensível e comovente. Beleza Perdida é um livro que discute o conceito de beleza, a nossa impotência frente aos acontecimentos da vida, mesmo quando nossas escolhas estão envolvidas, e que o heroísmo também reside nos pequenos gestos. Uma leitura imperdível.

"Pense nisso. Não existiria a tristeza se não tivesse existido a alegria. Eu não sentiria a perda se não tivesse existido o amor."

"Acreditamos que há lições na perda e poder no amor, e que temos dentro de nós o potencial para uma beleza tão magnífica que o nosso corpo não pode contê-la."

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Navio Negreiro: a Literatura retratando a história

Dia 20 de Novembro é celebrado o Dia da Consciência Negra. Essa data foi escolhida pois esse foi o dia da morte de Zumbi dos Palmares, figura histórica e símbolo de resistência.





Falar de consciência, é algo abrangente. Nos dicionários, podemos encontrar para essa palavra, significados como "faculdade da razão julgar os próprios atos ou o que é certo ou errado do ponto de vista moral", "probidade, honradez", "opinião", ou ainda, "estado do sistema nervoso central que permite pensar, observar e interagir com o mundo exterior". Ter ou ser consciente é isso, é saber ou interagir com o mundo ao seu redor com propriedade. Então, por que um dia da consciência negra?

Em se tratando de nosso país isso é simples, quase metade da nossa população é constituída de pessoas negras, entretanto ainda vivemos em uma sociedade que exclui, discrimina, e, muitas vezes menospreza-os. Essa questão vai muito além de ser ou não racista, mas aqui também cabe a situação social e até econômica.



Consciência sim, para que possamos enxergar essas questões, e não ignorá-las. Ser consciente, em relação a isso, é saber, tomar conhecimento que sim, ainda hoje existe muita desigualdade racial no Brasil. Por isso, faz-se mister observar essas condições e conscientizarmo-nos do papel que cada um possui para que desigualdades sejam cada vez mais diminuidas, e muito em breve, extintas.

A preocupação com a situação do negro no Brasil não é atual. Ao contrário. Desde a época da escravidão, uma parcela da população, aquela mais consciente sobre a questão de igualdade de direitos, já levantava a bandeira da liberdade.

Em 1860, surgiu um grupo de escritores que demonstrava grande preocupação com os problemas sociais. A abolição da escravidão foi um tema muito comum adotado nessa época, e difundido entre os escritores. Esse grupo, pertencente ao Romantismo, em sua terceira geração, ficou denominado como condoreirismo.



 Um dos principais representantes desse período é o poeta Castro Alves. Este possuía fortes ideais políticos, e era abolicionista. Isso ficou claro em sua obra, pois durante toda sua carreira escreveu sobre esse tema. Por esse motivo, ficou conhecido com poeta dos escravos. Um de seus poemas mais importantes é Navio Negreiro. Esse poema épico, tem como a figura do herói o próprio negro.

Em Navio Negreiro, Castro Alves narra como o negro era brutalmente retirado de sua terra e trazido de maneira indigna ao Brasil. O navio, espaço presente quase na totalidade do poema, era palco dos horrores sofridos por esse povo. A esperança perdida, os sonhos destruídos, a família que ficou para trás, a angústia do porvir são retratados com maestria por esse gênio das letras.

Um dos pontos mais tocantes do poema é quando faz-se a narrativa do negro morto por alguma doença contraída no navio, e seu corpo é simplesmente jogado ao mar. Fica a reflexão: esse foi o maior dos sofrimentos, uma vida interrompida abruptamente. Não. Por mais que o poema não narre como foi a vida do negro que conseguiu sobreviver às tragédias impostas a ele durante esse desumano trajeto, sabemos que o maior dos sofrimentos os aguardavam bem aqui na nossa terra.


Outros questionamentos nos vêm à mente, quanto da prosperidade de nosso país não foi realizado as duras penas do sofrimento humano. Sim, Castro Alves sabia disso. Ele deixa isso claro no sexto e último canto do poema, quando, depois de expor todo o sofrimento a que o negro foi submetido nessa viagem infame, cita a responsabilidade de nosso povo: "Existe um povo que a bandeira empresta/ P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...".

Ainda nesse mesmo canto citando a responsabilidade do Brasil, o poeta cita "Tu que, da liberdade após a guerra,/ Foste hasteado dos heróis na lança/ Antes te houvessem roto na batalha,/ Que servires a um povo de mortalha!...". Nesse trecho, Castro Alves sugere que a derrota na guerra seria preferível a servir a um povo de mortalha.



Todo o poema nos envolve e nos faz refletir sobre o amargor vivido pelo povo trazido da África para trabalhar dura e tristemente em nosso país. A abolição ocorreu. Em 13 de maio de 1888, a lei Áurea, assinada pela então princesa Isabel, colocou fim a esse triste episódio de nossa história.

Antes o sofrimento do negro houvesse tido fim nesse dia. Sabemos que não. É necessário então, que esta não seja apenas uma data comum, mas sim um momento de reflexão sobre conscientização, percepção, humanização, para que um dia, enfim nos aceitemos uns aos outros, importando-nos apenas com nossos interiores.








segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Ação Comemorativa - Jane Austen Day

Quem é Jane Austen ?

 Jane Austen nasceu no dia 16 de dezembro de 1775. Tornou - se uma escritora proeminente e figura entre os escritores ingleses famosos, tais como: Shakespeare, Dickens, Virginia Woolf, Lewiss Carrol, etc.
escritores ingleses famosos jane austen

Entre os seus trabalhos estão 6 obras prontas: Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade, Persuasão, A Abadia de Northanger, Parque Mansfield e Emma, entre outras obras incompletas.

Em 24/07/2013 ela foi a 3º mulher a ser escolhida para ser representada no papel moeda britânico, estampará a nota de dez libras, as primeiras sairão em 2017.
ten pounds, 10 libras, jane austen
Imagem da nova nota foi fornecida pelo Banco da Inglaterra

O que é o Jane Austen DAY?

E em 2014 no último aniversário de Austen, o The Jane Austen Centre instituiu o Dia de Jane Austen.
Página no Facebook.
Fãs de Austen no mundo todo já estão fazendo planos. Em Canberra - Austrália, haverá uma Brunch; em Nova Scotia um almoço; e os fãs na Ucrânia e em  Idaho estarão reunidos para um chá. Em Colorado, eles estarão tentando um baile à fantasia Era da Regência.

E nós como não podemos fazer um belo de um encontro, [um dia faremos],
Estaremos reunidos aqui e no Grupo com várias parcerias exclusivas NUM MEGA SORTEIO.

Este é o Primeiro [de muitos, esperamos! hehe] JANE AUSTEN DAY, organizado pelo blog Amantes de Jane Austen.

Como participar?


Para Participar deve seguir todas as regras abaixo e preencher o formulário do Rafflecopter onde será feito o Sorteio:
    Regulamento
      • - A promoção é válida de 16/11/2015 à 16/12/2015.
      • - Residir em território nacional (Brasil).
      • - O resultado será divulgado nas redes sociais das páginas e blogues, após o término da promoção.
      • - Após o anúncio do resultado, o sorteado será informado por e-mail e terá até 24 horas para entrar em contato com o Blog ou página, informando seu nome completo e endereço.
      • - Caso algum item obrigatório não seja cumprido, um novo sorteio será realizado. Todos os itens serão conferidos.
      • - Os prêmios serão enviados pelos blogs participantes em até 30 dias úteis, após o termino da promoção.
      • - Os blogs participantes não se responsabilizam pelo atraso ou extravio dos correios, ou ainda pelo fornecimento do endereço errado por parte do sorteado.
      • - Caso o livro retorne ao remetente, não será feito um segundo envio.
      • - Em caso de greve dos correios o prazo de entrega poderá sofrer alterações.
      • - Perfis falsos ou promocionais serão desclassificados.


      Sobre os mimos e brindes.

      Os Blogs e Páginas e Editoras serão responsáveis pelo envio de cada mimo ou livro, com Exceção das Editoras Pedrazul e Martin Claret, que enviaram seus livros para a Residencia da +Angélica Damasceno - Amantes de Jane Austen, que por sua vez será responsável pelo envio (ela informa que por serem 5 fretes independentes talvez demore um pouco a enviá-los.)


      Uma bolsa forrada personalizada com tema Jane Austen, cor sortida disponível na data do sorteio. 

      bolsa personalizada, sorteio Jane Austen day


      A Autora Moira Bianchi do Hot Rio Chick
      Um exemplar do Livro: 45 Dias na Europa com Sr. Darcy .

      Sorteio comemorativo JANE AUSTEN DAY, 45 dias com Mr. Darcy na europa


      A responsável pelo Casinha de Livro blog e página Patricia Dias - 
      Um kit de marcadores de livros exclusivos diversos inspirados em Jane Austen



      Um exemplar do Livro: O Diário de Mr. Darcy

      Sorteio comemorativo JANE AUSTEN DAY, o diario de Mr. Darcy


      Um exemplar de Razão e Sensibilidade, um exemplar de A Abadia de Northanger, um exemplar de Persuasão, e um exemplar 3 em 1 - Lançamento.



      Dois Exemplar de Emma (Lançamento) saídos da gráfica! 

      Sorteio comemorativo JANE AUSTEN DAY Emma LePM


      A Editora Companhia das Letras -
       Um Exemplar de As Sombras de Longbourn, e um exemplar de Juvenília. 

      Sorteio comemorativo JANE AUSTEN DAY as sombras de longbournSorteio comemorativo JANE AUSTEN DAY juvenília


      A Página do Facebook Adaptações de Jane Austen - 
      Um DVD Amor e Inocência

      Sorteio comemorativo JANE AUSTEN DAY dvd amor e inocencia


      O blog e a página do Facebook  Brainstorm do Leonardo Junior -
      Um Exemplar de de Lady Susan 


      Sorteio comemorativo JANE AUSTEN DAY lady Susan


      O blog e página do Facebook Escritoras Inglesas - 
      Um Exemplar de Emma Lançamento da LePm


      O blog e a Página As Garotas de Pemberley - 
      Um DVD da série Orgulho e Preconceito versão de 1995 da BBC
       


      A Página Lovely Store da Mara Hoffman 

      Uma Capa de Livro feita de tecido Personalizada cor sortida disponível na data do sorteio.





      Um Livro A Abadia de Northanger LePM Pocket

      Sorteio comemorativo JANE AUSTEN DAY northanger abbey


      A Agência de Viagens Fine Destinations - 
      Um desconto exclusivo para quem contratar a viagem "Tour Jane Austen" e fechar o pacote no dia do Jane Austen Day






      Será enviado um livro, brinde ou mimo por sorteado.

      BOA SORTE A TODOS!!!