segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Uma vida... em um beijo - Os Bridgertons #3


“Era uma vez uma menina, filha de um homem viúvo muito rico, que vivia solitária numa grande mansão. Um belo dia, seu pai resolveu se casar, e casou-se com uma mulher ambiciosa e cruel que já tinha duas filhas. Mas ao invés de serem amigas da pobre menina, logo a dispensaram, e não eram nada simpáticas com ela. Até que um dia, seu pai morreu, deixando a menina aos cuidados da madrasta má, que a tornou em empregada. Tirou seus belos vestidos e a fez vestir-se como os outros empregados da casa. A madrasta e as duas meninas a faziam trabalhar desde o amanhecer, não lhe dando descanso.
Houve então um baile na cidade, e todas as jovens foram convidadas. Mas a madrasta não deixaria que a enteada fosse, e deu-lhe muitas tarefas a cumprir. Mas algo muito bom aconteceu, e a jovem foi ao baile. Era a mais bela da noite, e logo conquistou a atenção do jovem anfitrião. Eles conversaram, dançaram, se divertiram, e se apaixonaram.  Mas ela não poderia ficar por muito tempo, e ao soar da meia noite, saiu correndo para casa, deixando, na pressa, apenas um acessório seu para trás. E foi, sem nem ao menos revelar ao jovem a sua identidade.”
Não, eu não estou falando da Cinderela. Estou falando de Sophie Becket. Coincidência? Acho que não. Um Perfeito Cavalheiro, o terceiro livro da série “Os Bridgertons”, nos traz uma deliciosa versão de Cinderela, tendo como protagonistas Sophie, filha bastarda de um Duque, e Benedict Bridgerton, o segundo filho da família Bridgerton.
Sophie foi criada em meio ao conforto, e ainda que não fosse reconhecida como filha do Duque, tinha todos os privilégios como sua pupila. Foi devidamente educada, vestida e alimentada com o melhor, ate que o Duque resolveu se casar, e trouxe a vida da pequena Sophie uma série de desventuras, que após sua morte, se intensificaram.
A Duquesa nunca deu a menina o que lhe era devido – o que o Duque lhe havia deixado em testamento – e Sophie apenas permaneceu na casa porque nesse testamento, o falecido triplicava a pensão da viúva caso Sophie permanecesse na casa ate seus 20 anos. Contudo, a mulher a tornou sua camareira, e arrumadeira, e costureira... Sophie nunca ia a festas, jantares ou sarais, e seu único contato com a movimentada Londres era através das Crônicas da Sociedade de Lady Whistledown (sim, de novo ela!).
Quando a família Bridgerton decide por dar um baile, todas as jovens de boa família foram convidadas, e não se falava em outra coisa, se não os dois homens solteiros da família, Benedict e Collin. Já estes dois, não estavam gostando nada nada de serem o centro das atenções de todas as solteiras e suas respectivas mães durante toda uma noite. Mas o que Benedict não esperava era que seria nesse baile que uma mulher faria seu coração perder o compasso.
Sophie foi ao baile escondida, e aproveitou-se do fato de que era um baile de máscaras para ter sua identidade protegida. Não tinha pretensões ao ir ao baile. Apenas queria, por uma noite, sentir-se uma pessoa normal, ver pessoas se divertindo, ouvir pessoas se referindo a ela como uma igual. Sophie também não esperava que nessa noite, seu coração seria tocado de uma vez para sempre. Contudo, nunca se esqueceu seu lugar no mundo, e antes que pudesse ser descoberta, foi embora sem ao menos se despedir.
No dia seguinte, a vida da menina teria uma reviravolta, e após ser expulsa de casa, fica dois anos trabalhando de lugar em lugar, de casa em casa, e após o que ela considerou ser o pior dos seus dias, ela reencontra seu amor, mas este não a reconhece.
O livro então traça os caminhos dos dois, então juntos. Benedict promete a Sophie que a arrumaria um emprego decente, e então eles começam a se aproximar, a se conhecer, e o amor cresce cada vez mais. Porém, sempre com a classe social a separá-los. Ambos tinham consciência de que não poderiam se casar, mas não conseguiam ficar separados.
O interessante nos livros de Julia Quinn é o quanto ela consegue envolver personagens secundários, tornando-os tão importantes para a trama. A inteligente Violet Bridgerton, que conhece seus filhos apenas pelo olhar, a esperta Eloise Bridgerton, o perspicaz Colin Bridgerton, e, atormentando nossa curiosidade, a sempre mordaz e onipresente Lady Whistledowm. São, na verdade, esses personagens que fazem o livro andar, dão mais corpo a trama, e aguçam nossa percepção. Torna a história mais real.

E por falar em Lady Whistledowm... Alguém aí já tem alguma ideia de quem seja ela? Como pode uma mulher saber tudo sobre todos? Mas algo me diz que seus dias estão contados. Ela afirmou que “se a srta. Featherington de alguma forma conseguisse arrastar um irmão Bridgerton para o altar, ... esta autora, que admite que não entenderia nada de um mundo assim, seria forçada a abdicar do posto.” Será que ela consegue? Vamos torcer... cadê os dedos cruzados?! Vai Penelope!
- Título Original: An Offer from a Gentleman 
- Título no Brasil: Um Perfeito Cavalheiro
- Autora: Julia Quinn
- Editora: Arqueiro
- Tradução: Cássia Zanon
- Páginas: 103


domingo, 30 de agosto de 2015

Entrevista Dona Moça - Parte 2

Na sexta - feira, apresentamos a primeira parte da entrevista com as criadoras da web série Dona Moça, inspirada na obra Senhora, de José de Alencar. Esse é um projeto Adorbs Produções e a primeira temporada contou com 10 episódios. Nesse momento a campanha de financiamento coletivo (crowdfunding) para produzir a segunda temporada está na última semana. Um dos aspectos mais importantes do financiamento coletivo é a concessão de recompensas para os financiadores, de acordo com o valor doado. No caso de Dona Moça, as recompensas variam desde postais e marcadores da série até a possibilidade de visitar os estúdios, ou atuar como produtor executivo da web série.


7. Como foi o processo de seleção dos atores?

Maria Raquel: Longo e demorado [risos]. Nós postamos a chamada no Facebook e em alguns sites e tivemos muitas respostas. A partir daí fomos selecionando os atores que tinham mais perfil para o que procurávamos. Então pedimos para os atores enviarem um vídeo fazendo o personagem. Poucos nos responderam nessa segunda fase, mas os que fizeram tinham o perfil perfeito que procurávamos. Em seguida fizemos os testes de química ao vivo e depois disso já tínhamos quem ia ser cada personagem.

Jacqueline: Foi uma novela à parte, não? Muita gente boa mandou currículo e a gente precisou ter muito critério para selecionar aqueles que realmente se encaixavam no perfil dos personagens. E muitos atores bons desistiram no meio do processo. Posso dizer que tivemos muita sorte em ter um elenco tão bom com atores tão comprometidos e bem entrosados. Todo mundo é amigo de todo mundo!

Os testes das atrizes Flávia Dessoldi (Mari Seixas), Sílvia Bitente (Fifi Mascarenhas) e do ator Daniel Cabral (Fernando Seixas) foram divulgados no YouTube da Adorbs. Confiram!!!

8. Como foram as gravações?

Jacqueline: As gravações foram um processo bem corrido. Todos os episódios foram gravados em dois domingos seguidos. Das sete da manhã até as seis da tarde. Foram dois dias extremamente cansativos, com metade do elenco e equipe doentes, mas extremamente divertidos e ver o resultado disso tudo pronto e editado é bem gratificante.



Veja outras fotos do Set "Dona Moça".

9. Com tem sido a interação com os espectadores?

Jacqueline: A interação tem sido muito boa e até mesmo surpreendente. Quando criamos a série, imaginamos que nossa audiência seria basicamente a do pessoal que já está acostumado a acompanhar web séries americanas e com quem temos certo contato, mas quando o primeiro episódio passou de mil visualizações em 24 horas percebemos que a coisa era bem maior do que pensávamos. A galera realmente se interessa pelos personagens, conversa com eles no Twitter, envia vídeos para gente, comenta os episódios no Tumblr, faz gifs...está sendo uma delícia acompanhar tudo isso.


10. A primeira temporada acabou e o crowdfunding para uma nova temporada está em andamento. Como vai funcionar o financiamento coletivo e qual será a destinação dos recursos?

Jacqueline: Os primeiros dez episódios foram produzidos com recursos escassos e cerca de 500 reais de orçamento, mas infelizmente não temos dinheiro para investir mais que isso. Por isso iniciamos a campanha de financiamento coletivo. A maior parte do dinheiro arrecadado será gasto em infraestrutura, como alimentação, transporte e manutenção do set no dia de filmagem e na compra e aluguel de equipamentos e ferramentas que possam melhorar a qualidade estética da série, como câmeras mais potentes, cenário e figurino. O restante do dinheiro será gasto com bonificações para o elenco. Parte do dinheiro também financiará a produção e envio dos brindes adquiridos pela galera que participou do crowdfunding. Pedimos 7.500 reais e no momento já arrecadamos cerca de 3 mil. Faltam só uma semana para a campanha acabar, então por favor, colaborem e ajudem a gente! (risos)

11. Teremos mais personagens na história?

Maria Raquel: SIM! Temos pelo menos mais dois personagens novos, e um deles vai ter um spin-off. O público também vai ver bem mais de outros personagens que apareceram pouco nessa primeira fase.


12. Vocês já possuem uma estimativa de quantos episódios terá a série?

Maria Raquel: Desde o começo, antes de começarmos a filmar a primeira temporada, já sabíamos que a série teria 35 episódios. O spin-off oscilou um pouco, mas no final acabou ficando com 10 episódios.


13. Vocês planejam adaptar outras obras brasileiras ou possuem algum projeto original?

Maria Raquel: Por enquanto apenas sonhamos em adaptar mais clássicos brasileiros, mas ainda é bem cedo pra falar qual. Nem nós mesmas decidimos ainda [risos].

Fim!!!

Agradeço a Jacqueline e Maria Raquel por responderem à entrevista!!!



sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Entrevista Dona Moça - Parte 1

Há quase dois meses, eu falei aqui no blog sobre um dos meus livros preferidos, Senhora, do escritor brasileiro José de Alencar. No post sobre o livro, falei sobre suas adaptações para a TV e comentei sobre Dona Moça, web série inspirada no livro e produzida pela Adorbs Produções. A web série, que em sua primeira temporada contou com 10 episódios, está na fase final de um processo de financiamento coletivo para produzir a segunda temporada. Nesta entrevista com as criadoras vocês terão a oportunidade de conhecer melhor o projeto. 





1. Por que Adorbs Produções?

Maria Raquel:  Adorbs era uma espécie de jargão que Lydia Bennet, personagem de The Lizzie Bennet Diaries, usava. Tudo que ela achava fofo ela dizia “Totes adorbs”, algo como “totalmente adorável”. Quando começamos a legendar a webserie para o português, o nome do grupo de legendas era Team Adorbs. Nos inspiramos nisso e resolvemos nomear nossa produtora como Adorbs Produções.



2. Como surgiu a ideia de adaptar Senhora para web série?

Maria Raquel: A Chris Salles, uma amiga nossa, comentou comigo no Facebook que seria bem legal ver Senhora como uma web série ao estilo de Lizzie Bennet Diaries. Todo mundo se animou e achou que era possível fazermos sim. E aí que começou a adaptação em si.

3. Quais são os desafios em se adaptar uma história clássica para os dias atuais?

Maria Raquel: Com Senhora foi o enredo em si. Hoje em dia não é tão comum ver casamentos que envolvam dotes e todo o negócio de “compra” de marido. Então esse foi o principal desafio, já que a história da Aurélia e do Fernando gira em torno disso. Tivemos que pensar um pouco sobre como poderíamos fazer o Fernando ser forçado a conviver com a Aurélia hoje em dia.

Jacqueline: daí que chegamos à conclusão de que a melhor forma de transpor a relação deles para os dias atuais foi transformá-la em uma relação empregador-empregado. Afinal, o Fernando do livro não se considerava nada mais que outro servo ou escravo da Aurélia, e ela mesma já era uma mulher bem autossuficiente e independente para a época. Transformá-la na chefe dele foi o caminho natural.


4. Como foi o processo de adaptação? Qual é a tarefa de cada uma nesse processo?

Maria Raquel: Primeiro tivemos que trazer a história para os dias atuais. Como a Aurélia seria hoje em dia. Não poderíamos manter a idade dos personagens como no livro, pois não faria sentido. A gente queria manter a Aurélia como “rainha dos salões”, que é algo bem marcante na personagem do livro. As festas são bem importantes pro enredo da história. A solução que encontramos foi transformar a Aurélia em uma organizadora de festas bem famosa. Assim ela continuou sendo a “rainha dos salões”. Não teria sentido ter a personagem da Dona Firmina como uma matrona que acompanha a Aurélia, então a transformamos na Fifi, que cumpre a mesma tarefa de ser a companheira dela em todos os eventos. Mas algumas coisas você tem que manter porque se não acaba virando uma história original e não uma adaptação. A crise financeira dos Seixas foi crucial para ser mantida, porque é a fagulha do início de todo o enredo. Mesma coisa para o passado de Fernando e Aurélia/Fernando e Amaralzinha/Fernando, e para todos os personagens interagindo no mesmo meio e se conhecendo.

Jacqueline:  Outra coisa importante é que nenhuma de nós tem uma tarefa definida no processo de adaptação em si. Todas damos ideias e discutimos o que faz mais sentido dentro da história que estamos querendo contar.  Todo mundo participa e dá ideias e todas elas são consideradas em pé de igualdade e depois testadas para ver se podem ou não dar certo.

5. Vocês já possuíam experiência nesse tipo de projeto? Tiveram ajuda de outros profissionais?

Maria Raquel:  A Larissa e a Anna Lívia são formadas em Audiovisual e já tinham experiência na área. A Jacqueline é formada em Comunicação Social e já trabalhou em algumas emissoras de TV na área de jornalismo e produção. A Maynnara também é formada na área de Comunicação, voltada para Moda. Já eu sou graduanda em Letras com foco em literatura de língua portuguesa e inglesa.

Jacqueline: Também convidamos amigos que trabalham na área para fazer a série ter um ar mais profissional. O Iuri Galletti é nosso diretor de fotografia a Natalie Rocha é nossa técnica de som. A Elen Godoi faz nossa direção de arte. Sem eles “Dona Moça” não teria a qualidade que tem. E devemos muito a eles, pois os três toparam trabalhar com a gente sem receber nenhum tipo de pagamento em troca, estão nessa por pura camaradagem e amor ao projeto. Eles são os nossos heróis (risos).

6. Dona Moça é um projeto transmídia. Qual é a importância dela para quem acompanha a história? Quem cuida do que?

Maria Raquel: A transmídia de Dona Moça faz com que os personagens se aproximem dos espectadores. Ela é parte da história, não apenas algo a mais, pois muita coisa importante mostrada mais a fundo na transmídia acabam sendo endereçadas de leve nos vídeos. Porém, é possível entender o enredo apenas assistindo os vídeos, a transmídia não é crucial para o entendimento.

Quem coordena a transmídia é a Jacqueline. Ela faz a Fifi nas redes sociais e as notas de coluna social do Jota Alencar, além de cuidar das outras redes sociais em geral, como o tumblr (Laboratório da Nic), o 8tracks (playlist) e os blogs (Adorbs e Dona Moça Eventos). A Larissa e eu somos também ajudamos, dividindo a ação dos personagens. A Larissa cuida do twitter da Nic e da Aurélia e eu faço todas as redes sociais do Fernando, além de ajudar a Jacque no tumblr e no 8tracks. Mas nada está escrito em pedra. Sempre que uma não pode fazer um personagem, a outra cobre no lugar.

Todos os tweets dos personagens da série podem ser lidos aqui.

Para ajudar no financiamento da segunda temporada: http://www.kickante.com.br/campanhas/dona-moca-segunda-temporada


No domingo será divulgada a segunda parte da entrevista.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A cor púrpura, Alice Walker - por Raquel Sacramento

        Tomei conhecimento do livro “A cor púrpura”, da escritora estadunidense Alice Walker, ao descobrir que meus alunos do 7º Ano o pegavam na biblioteca pra ler as “partes pornográficas”. Obviamente, fiquei curiosa, iniciei a leitura e agora mal posso conter as lágrimas enquanto escrevo essa resenha, peço licença, portanto, para escrever de maneira pessoal e emocional.
        O livro é em formato epistolar, ou seja, através das cartas da personagem principal, Celie, conhecemos uma história extremamente sofrida e que, infelizmente, podia muito bem ser baseada em fatos. O contexto é a sociedade americana do final do século XX, a qual era baseada na segregação racista. Celie sofre uma série de violências durante sua infância e acaba se casando com um homem que também a subjugava e a traía. Em busca de algum alívio, a personagem recorre às missivas que escreve, mesmo sem saber se seu destinatário a ouvia e seria capaz de responder.
         É de suma importância, para entendermos bem a história, consideramos a interlocução nas cartas, uma vez que é, justamente, a relação entre a remetente e os destinatários que nos mostram os aspectos mais subjetivos da história. Celie escreve, a princípio, apenas pra Deus, contando todas as situações pelas quais passava e rememorando sua própria história. Depois, ela passa a remeter à sua irmã, de quem desconhece o paradeiro, e, por fim, quando parece ter assimilado  “a cor púrpura”, se dirige aos “Querido Deus, Queridas estrela, queridas árvore, querido céu, querida gente. Querido tudo.”
          O texto é carregando de trechos super emocionantes e que nos levam à muitas reflexões existenciais, destaco aqui o momento em que – na minha percepção – o título da obra é explicado: “Você tá dizendo que Deus é vaidoso? Eu perguntei. Não, ela falou. Num é vaidoso, só quer repartir uma coisa boa. Eu acho que Deus deve ficar fora de si se você passa pela cor púrpura num campo qualquer e nem repara.” (Reparem que a linguagem é informal, o que confere ainda mais simplicidade e delicadeza à história narrada.)
       Outro tema que é muito explorado pela autora é a importância da sororidade (amizade entre as mulheres), posto que é no momento em que as personagens femininas se unem que a libertação começa a ocorrer. O interessante é que o empoderamento vem de onde menos se espera, fazendo com que enxerguemos que amor e amizade precisam, necessariamente, estar ao lado da luta contra as opressões.
           Essa leitura foi, para mim, mais uma prova de que sempre se pode aprender com os alunos, mesmo com as “travessuras” que eles aprontam. Aproveitei o “interesse” deles pela obra e selecionei uns excertos para discutir o gênero epistolar e racismo estrutural.

P.s.: Pasmem, mas só depois fui descobrir que este livro incrível foi adaptado para o cinema, em 1985, por Steven Spelbierg e estrelado por Whoopi Goldberg e Oprah Winfrey, sendo indicado a vários prêmios e muito elogiado pela crítica.

Referência:
WALKER, Alice. A cor púrpura. São Paulo: Círculo do Livro, 1982.


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Entre Trovões e Abelhas - Os Bridgertons #2

O Visconde que Me Amava


  • Título Original: The Viscount Who Loved Me
  • Título no Brasil: O Visconde que Me Amava
  • Autor: Julia Quinn
  • Editora: Arqueiro
  • Tradução: Ana Resende
  • Número de Páginas: 304
SINOPSE: “A temporada de bailes e festas de 1814 acaba de começar em Londres. Como de costume, as mães ambiciosas já estão ávidas por encontrar um marido adequado para suas filhas. Ao que tudo indica, o solteiro mais cobiçado do ano será Anthony Bridgerton, um visconde charmoso, elegante e muito rico que, contrariando as probabilidades, resolve dar um basta na rotina de libertino e arranjar uma noiva. Logo ele decide que Edwina Sheffield, a debutante mais linda da estação, é a candidata ideal. Mas, para levá-la ao altar, primeiro terá que convencer Kate, a irmã mais velha da jovem, de que merece se casar com ela. Não será uma tarefa fácil, porque Kate não acredita que ex-libertinos possam se transformar em bons maridos e não deixará Edwina cair nas garras dele. Enquanto faz de tudo para afastá-lo da irmã, Kate descobre que o visconde devasso é também um homem honesto e gentil. Ao mesmo tempo, Anthony começa a sonhar com ela, apesar de achá-la a criatura mais intrometida e irritante que já pisou nos salões de Londres. Aos poucos, os dois percebem que essa centelha de desejo pode ser mais do que uma simples atração. Considerada a Jane Austen contemporânea, Julia Quinn mantém, neste segundo livro da série Os Bridgertons, o senso de humor e a capacidade de despertar emoções que lhe permitem construir personagens carismáticos e histórias inesquecíveis.”


Como conhecemos no primeiro livro, os Bridgertons são uma família muito rica, e, sendo assim, influente na cidade de Londres. Não formavam uma família muito tradicional, e nutriam um carinho e um afeto muito especial uns para com os outros. Respeitavam-se mutuamente, aconselhavam-se e protegiam uns aos outros. As moças da família não eram casamenteiras, o contrário de todas as outras da cidade, e os homens não demonstravam interesse em nenhuma das moças londrinas, nem mesmo estavam em busca de uma esposa, o que muito preocupava a sra. Bridgerton, em especial por seu filho mais velho, Anthony, herdeiro de seu pai, que carregava a responsabilidade de prosseguir com a linhagem de sua família.
Anthony nunca negou ou fugiu de tal responsabilidade, contudo havia um trauma envolvendo a morte de seu pai que o fazia temer a possibilidade de se apaixonar, e dava-lhe a certeza de que sua vida seria breve, como a de seu pai, que morreu muito cedo por uma picada de abelha. Sendo assim, chegada determinada altura, ele resolve, para alegria de toda Londres, casar-se, e ao saber que Edwina Sheffield era a mais bonita e cobiçada de todas, resolve que ela seria sua esposa. O que ele não esperava era encontrar uma irmã mais velha tão super protetora como Kate.
Kate Sheffield passava a temporada na cidade com sua madrasta e sua irmã. Consciente de que não era tão bonita como a irmã, ou tão jovem como pedia a temporada, Kate não se importa em buscar para sim um pretendente, apenas “supervisiona” os pretendentes da irmã, e conversa com ela a respeito dando sua opinião, que Edwina escuta e aceita sempre. Ao saber que Anthony Bridgerton, o homem mais devasso e libertino da cidade, está a cortejar sua irmã, não mede esforços para afastá-la desse homem. Ela apenas não imaginava que seria tão difícil.
Ao perceber os esforços de Kate, Anthony começa a divertir-se irritando-a, o que ele conseguia com muito êxito. Nunca perdia uma oportunidade de importuná-la. Kate era inteligente, esperta, decidida e espontânea, tentava manter-se afastada, e respondia à altura os ataques de Anthony, mas cada vez mais pareciam se aproximar um do outro, e ela começa a ver um visconde que antes não via, e passou a desejar conhecê-lo melhor. Uma oportunidade foi no jogo de Pall Mall, onde Kate mostra-se uma Bridgerton nata, competindo no mesmo nível dos anfitriões. Anthony, que pretendia casar-se com Edwina, começa a sonhar com Kate, e seu trauma começa a preocupá-lo. Kate também possuía seus traumas, ligados à morte da mãe - medo de tempestades e pânico de trovões!, e Anthony também começa a se preocupar com ela. Contudo, esse conhecimento e essa preocupação começam a crescer, e ambos acabam apaixonados um pelo outro.

Julia Quinn traz nesse livro a história de pessoas que também tem suas histórias, seus medos, suas crendices, seus traumas. Pessoas que precisam vencer esses obstáculos para que possam viver suas vidas de maneira tranquila. Pessoas reais, com problemas reais, uma boa dose de divertimento, e muito amor!!!

E sim, Lady Whistledown continua rondando a cidade. Quem será essa mulher misteriosa – se é que é uma mulher – e onipresente que ronda a sociedade com sua língua afiada, tornando tudo mais divertido? Eu tenho minhas desconfianças. E você? 


sábado, 22 de agosto de 2015

"E se verdadeira pergunta não se refere a ser, mas a como ser?"





  • Título Original: Just One Day
  • Título no Brasil: Apenas um Dia
  • Autora: Gayle Forman
  • Editora: Novo Conceito
  • Tradução: Ana Paula Doherty
  • Páginas: 384


Allyson Healey está fazendo uma viagem pela Europa junto com sua melhor amiga, Melanie, e aquelas turmas de excursão. A última parada antes de voltar para o EUA, e a faculdade é a Inglaterra. Quando o livro começa, elas estão em Stratford-upon-Avon, na fila pra assistir Hamlet, porém resolvem ver Noite de Reis ao ar livre representado pela companhia Will Guerrilheiro.

No trem para Londres ela reencontra Willem, um garoto holandês que interpretou Sebastian na peça. Ele a acha parecida com Louise Brooks, atriz americana estrela do cinema mudo nos anos 1920, e lhe dá o apelido de Lulu. Ao chegarem em Londres ele propõe acompanhá-la a Paris, cidade que não deu pra visitar no seu tour. Na Cidade Luz, na companhia de Willem, Allyson vive não só o melhor momento de sua viagem, como também de sua vida, uma vez que pela primeira vez ela pode ser quem ela realmente é, não se importando com as expectativas dos outros, principalmente da mãe, q projeta filha a realização do seu maior sonho: estudar medicina. Allyson também se apaixona por Willem, e pelo ideal de liberdade q ele encarna, uma vez que o garoto tem viajado pela Europa, sem rumo certo, se entregando ao acaso, nos últimos anos. Porém, no dia seguinte ela acorda sozinha. 

Ao voltar para os EUA, ela tenta esquecer o que viveu em Paris. O primeiro semestre da faculdade, e do curso preparatório para medicina, não a satisfaz. Pela primeira vez suas notas estão ruins e ela não se mantém distante das colegas de alojamento. Além disso, sua amizade com Melanie está diferente, uma vez que a garota está sempre se reinventando. 

Na virada do ano, ela percebe o quanto está longe da sua identidade e resolve recomeçar. A mudança começa na faculdade, e com a ajuda da orientadora, ela adia algumas disciplinas do preparatório para medicina e inclui algumas de humanas, como Declamação de Shakespeare, apesar da lembrança que a acompanha. Ministrada por um professor excêntrico, o programa daquele semestre possui peças com uma temática em comum: "Mudança de identidade. Mudança de realidade." Durante a declamação de Como Gostais, Allyson percebe o vazio e a solidão em que se encontra e levanta a hipótese de talvez ter sido precipitada ao tirar conclusões quanto ao desaparecimento de Willem. A partir daí, e com a ajuda de Dee, seu novo melhor amigo, e das colegas de alojamento, Allyson resolve levantar informações sobre o garoto, e enfrentar a mãe, uma vez que resolve não estudar medicina. A busca por Willem a leva de volta ao Velho Continente, onde ela também quer resgatar Lulu, a garota que ela quer ser.

Gayle Forman é uma autora conhecida, graças ao sucesso de "Se eu ficar", já adaptado para o cinema. O livro, por ser um Young Adult, discute temas como a busca pela própria identidade, o primeiro amor, a relações com os pais, mas se destaca por utilizar as peças de Shakespeare para apresentar essas questões, comuns nessa fase de amadurecimento. O final é daqueles que nos deixam em suspense, e com mais vontade de ler a continuação, "Apenas um Ano", que já foi publicada no Brasil e apresenta a história pelo ponto de vista de Willem. Também fiquei com vontade de conhecer melhor as obras do Bardo, principalmente as comédias.

"O mundo inteiro é um palco, e todos os homens e mulheres, meros atores. 
Eles saem de cena e entram em cena, e cada um, a seu tempo, representa vários papéis." 
(Como Gostais, William Shakespeare)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

150 Anos de Alice

Esse ano (2015) o livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, completa 150 de publicação. 150 anos encantando crianças, jovens, adultos e idosos com suas fantasias e personagens surpreendentes. Hoje nosso artigo vai falar um pouquinho desse autor e dessa obra tão admirada pelo mundo. "A premiada Edição Comentada e Ilustrada de Alice ganha novo formato, seguindo o padrão da coleção Clássicos Zahar. O livro reúne Aventuras de Alice no País das Maravilhas e sua continuação, Através do espelho e o que Alice encontrou por lá, obras-primas de Lewis Carroll."
  •  Título Original: Alice in Wonderland
  • Título no Brasil: Alice no País das Maravilhas
  • Autor: Lewis Carrol - pseudônimo de Charles Lutwidge Dogson
  • Editora: Zahar
  • Tradução: Maria Luiza X. de A. Borges
  • Páginas: 416
SINOPSE: “Quando decidiu seguir um coelho que estava muito atrasado, Alice caiu em um enorme buraco. Só mais tarde descobriu que aquele era o caminho para o País das Maravilhas, um lugar povoado por criaturas que misturam características humanas e fantásticas, como o Gato, o Chapeleiro e a Rainha de Copas - e lhe apresentam enigmas.”


A história começa quando Alice está sentada numa ribanceira junto com sua irmã mais velha, que está lendo um livro para adultos. Alice, entediada, começa a pensar e procurar algo que fazer num dia terrivelmente quente, quando nesse momento, ela vê um Coelho Branco de colete e relógio de bolso correndo, que olha as horas e diz: “Por minhas orelhas e bigodes, está ficando muito tarde!” Curiosa, mas não espantada, Alice segue o Coelho Branco e cai pelo buraco de sua toca. A partir daí, embarcamos junto com ela num mundo subterrâneo de fantasia – o País das Maravilhas. No entanto, essa não é uma história qualquer. No mundo de Alice, “quase nada é realmente impossível”.
A partir do momento em que Alice plana [sim, ela não cai, ela plana!] no fundo da toca, inicia uma constante problemática da menina: seu tamanho. Observamos que em diversos momentos Alice está aumentando e diminuindo sua altura; na verdade, nunca tem o tamanho apropriado, sempre precisando ajustar-se aos lugares e situações, quer seja através de uma bebida, um bolo, ou um cogumelo. Contudo, são justamente as mudanças de tamanho que permitem os encontros da protagonista com tantos seres que, de outra forma, não estariam ao seu alcance. A Lagarta, por exemplo. Só é possível conversar com a lagarta porque Alice estava, então, com o tamanho do inseto fumador de narguilé!
Com a Lagarta, chegamos a outra problemática que, como seu tamanho, também a segue no livro: sua identidade.

"- Quem é você?"
"- Não estou bem certa, senhora... Quero dizer, nesse exato momento não sei quem sou... Quando acordei de manhã, eu sabia quem eu era, mas acho que já mudei muitas vezes..."


Tantas coisas estranhas acontecem a sua volta que a menina passa a duvidar de si mesma e se pergunta: será que o mundo mudou, ou fui eu? E, para ter certeza de que continua a mesma, Alice tenta se lembrar do que costumava saber: a tabuada, as capitais... mas não acerta em nada.
Nesse país, somos apresentados a diversos personagens, que são, ao mesmo tempo, absurdos e reais, um mais intrigante do que o outro: o Coelho Branco sempre apressado, a Lagarta que fuma narguilé, o Gato cujo sorriso paira sozinho no espaço, o Chapeleiro e a Lebre de Março, ambos loucos assumidos, uma corte de cartas de baralho cuja Rainha irritada manda cortar as cabeças ao menor deslize, a Duquesa que adora achar moral em tudo e constrói frases complicadíssimas...

"- Oh, você não tem como evitar" - disse o gato - "somos todos loucos. Eu sou louco. Você é louca."
"- Como é que você sabe que eu sou louca?"
"- Você deve ser, ou não teria vindo parar aqui."

São muitos diálogos interessantes, e, como Carroll afirmou, “tudo tem uma moral: é só encontra-la”. Devemos enxergar em cada personagem, o reflexo das pessoas que encontramos no nosso dia a dia: alguém que encara a vida de maneira tão simples que é tida como louca, ou uma pessoa que age da maneira que quer, feito criança, ou adultos sempre atrasados em seus afazeres que correm de um para outro lado sem ao menos arriscar uma olhada ao seu redor, ou pessoas que estão tão ocupadas consigo mesmas que não se importam com os sentimentos dos outros... E em Alice, a nossa capacidade de adaptação às mais diversas situações e nossas variações de humor.

Talvez seja verdade: "Somos todos loucos". Mas então, aquele que não é louco é que está errado, não é?

O final do livro traz também uma reflexão sobre a infância, a inocência, a seriedade e a maturidade. A irmã de Alice torce para que, ao crescer, Alice não perca a fé no Mundo das Maravilhas, que mantenha um pouquinho da infância viva dentro dela. Que continue a andar em frente, mas sempre olhando para os lados, admirando, observando, sorrindo. Qualquer mundo tem suas maravilhas. Basta achá-las!

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

"A vingança nunca é plena ..." - Os Bridgertons #1

  • Título Original: The Duke and I
  • Título no Brasil: O Duque e Eu
  • Autora: Julia Quinn
  • Editora: Arqueiro
  • Tradução: Cássia Zanon
  • Páginas: 288




Na obra The Bridgertons, composta por nove volumes, Julia Quinn conta a história de oito irmãos e os desafios de se encontrar o amor em meio à sociedade inglesa nas décadas de 1820 e 1830. Esta é uma família peculiar, nem tanto pelo tamanho, e sim pelo fato de terem sido batizados em ordem alfabética, além da semelhança física que eles possuem. Na primeira metade da série se destaca a importância da coluna de Lady Wistledown, que contribui para conhecer a sociedade na qual a história se desenrola, com seus comentários mordazes, irônicos e certeiros. A colunista sabe TODAS as fofocas da sociedade londrina, não tem medo de citar nomes e possui um carinho especial pela família Bridgerton. A especulação quanto a sua identidade é uma constante nos diálogos dos personagens, assim como os sentimentos que nutrem por ela, uma mistura de fascínio, admiração e ódio. 

O ano é 1813. A protagonista da família é Daphne, a quarta filha, e a mais velha entre as mulheres. Daphne já está na terceira temporada em busca de um casamento, e apesar da boa aparência, família e fortuna, ainda não encontrou um marido. A explicação seria que os homens a vêem como uma boa amiga. Por outro lado, Simon tem tudo para ser o principal partido da temporada, afinal é um Duque.  Porém, a mágoa que nutre pelo pai desde a infância, que o rejeitou pelo fato de ser gago, e, portanto, um herdeiro imperfeito, continua forte, levando-o a decisão de não se casar, a fim de extinguir o ducado.

Quando Simon conhece Daphne, irmã do seu melhor amigo Anthony, ele apresenta uma opinião diferente para sua solteirice: ter três irmãos mais velhos, e frequentar a sociedade com eles afugentaria os pretendentes. Porém, para testar a hipótese da Daphne, eles fazem um trato: ele fingiria cortejá-la, o que poderia despertar o interesse dos outros cavalheiros, ao mesmo tempo em que o preserva do assédio das mães casamenteiras.  A proximidade entre os dois logo uma se transforma em paixão, mas a obsessão do Duque em sua vingança pode colocar tudo a perder. 

Observatório de Greenwich, local visitado pela família Bridgerton e o Duque durante a história.

Uma das coisas mais legais nessa série é a ampla participação dos personagens coadjuvantes na história. Violet, mãe dos irmãos Brigdertons é viúva, e seus esforços em ver todos os filhos casados pode ser comparados com o da Sra. Bennet, porém a Viscondessa é mais simpática e esperta. É invejável como ela consegue fazer com que todos os filhos a obedeçam. Dentre os outros irmãos, nesse volume destacam-se Anthony, o irmão mais velho e chefe da família. Ele é muito ciumento e não confia nem no melhor amigo, por conhecer sua reputação de libertino. Temos também o Colin, o terceiro filho e o mais divertido. A proximidade de idade entre ele e Daphne os tornou muito unidos, tanto que ele sempre apóia a irmã. A caçula dos Bridgertons, Hyacinth, é uma figura, apresentando muita espirituosidade desde a infância. 


Em seus livros, Julia Quinn apresenta uma boa caracterização da época, reproduzindo com veracidade os costumes e hábitos da sociedade inglesa do início do século XIX. Ela também equilibra com competência romance, humor e drama e constrói assim o livro leve com uma trama que te prende até a última página.

A autora gosta de fazer playlists para seus livros. A página Julia Quinn Society of Brazil divulgou esse playlist com os comentários. No caso de "O Duque e Eu" as músicas escolhidas foram: 

Take my hand - Dido 
"Touch my skin, and tell me what you're thinking.
Take my hand, and show me where we're going." 

Mouth - Merril Bainbridge
"Would it be my fault if I could turn you on?
Would I be so bad if I could turn you on?"


God only knows -  The Beach Boys
"You never need to doubt it
I'll make you so sure about it"

Pretty in pink - Psychedelic  Furs
"She's pretty in pink
Isn't she"


sábado, 15 de agosto de 2015

Dia dos Solteiros

Falemos então dos solteiros. Não aqueles que estão sozinhos, tristes, comendo brigadeiro e indo a baladas beijando de boca em boca pra “sobreviver”. Falo daqueles convictos, de bem consigo mesmo, felizes com sua situação, sentindo-se completos sendo apenas um, e não dois (afinal, porque precisamos de uma segunda pessoa para estar completos? Estamos inteiros, ora bolas!) Sendo assim, tiramos das narrativas de Jane Austen uma solteira dessas.

Emma Woodhouse


Rica, bonita, influente, inteligente, feliz, bem relacionada, Emma Woodhouse afirmava que “Solteiros têm o poder!” Ok, não era bem assim que ela falava, mas era tipo isso.
“- Não se preocupe, Harriet, não serei uma pobre solteirona; e é a pobreza apenas o que torna o celibato lastimável para almas generosas! Uma mulher solteira com uma renda muito baixa pode ser uma solteirona ridícula e desagradável, motivo de escárnio para as crianças; mas uma mulher solteira de boas posses é sempre respeitável, e pode ser tão sensível e agradável como qualquer outra pessoa.”
Emma sabia de sua condição financeira, e não sentia falta de uma relação amorosa. Nem procurava nada nesse sentido para si. Mas para os outros – aqueles que precisavam – ela se empenhava. Casamenteira sem vocação, a protagonista vem mostrar uma grande polêmica da época: casamentos por interesse ou comodismo. Observamos em muitos casos mulheres relativamente pobres, que consideram o casamento como seu maior objetivo de vida, pois isso assegurava segurança e conforto. Contudo, Emma já era segura, e possuía meios suficientes para casar apenas por amor. Por isso se sentia tão bem em seu estado solteiro.
Mas e hoje? Hoje uma mulher pode batalhar e correr atrás do próprio sustento, não dependendo mais de casamentos proveitosos. Sendo assim, o que aprender com Emma Woodhouse? Simples: Autoconfiança e Amor Próprio. Tinha consciência de que era respeitada, e considerada agradável por todos em seu círculo de amizades. Era simpática, sorridente, amigável, extrovertida, apesar de um pouco orgulhosa, e mimada pelo pai. Mas isso não a impedia de ser querida. Pelo contrário, vivia recebendo visitas, convites e elogios.

Emma Woodhouse vem mostrar que não precisamos encontrar alguém e casar para viver “felizes para sempre”. Devemos estar felizes, e assim, cativar o respeito, a admiração, e o amor! Ser feliz consigo mesmo, e amar a si próprio, são os segredos para ser um(a) solteiro(a) bem sucedido.  


COLABORAÇÃO: Ádac Barbosa, Camila Rocha, Rafaela Degliomini. (Obrigada meninas!)

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

E se a vida lhe desse uma segunda chance?


  • Título Original: Fractured
  • Título no Brasil: Uma Curva no Tempo
  • Autor: Dani Atkins
  • Editora: Arqueiro
  • Tradução: Raquel Zampil
  • Páginas: 256

Mês passado fiz aniversário e uma das minhas amigas me deu o livro Uma Curva no Tempo. Na hora já fui com a cara do livro, pois a capa é linda (sim, julgo pela capa). Como também ganhei outros livros que precisariam de mais concentração e reflexão pra ler, resolvi deixar este por último para adoçar o fim das férias.
O livro é uma doçura só. Apesar de Rachel, a protagonista, ser fraca e chatinha, a história me prendeu na hora e fiquei roxa de curiosidade pra saber o que realmente tinha acontecido na noite que a vida dela parece tomar novo rumo.

Sinopse: A noite do acidente mudou tudo... Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel está desmoronando. Ela mora sozinha em Londres, num apartamento minúsculo, tem um emprego sem nenhuma perspectiva e vive culpada pela morte de seu melhor amigo. Ela daria tudo para voltar no tempo. Mas a vida não funciona assim... Ou funciona?

Rachel era uma adolescente normal, que tinha um grupo de amigos também relativamente normal e super unido. Ela namorava Matt, o carinha rico, lindo e popular e seu melhor amigo entre os melhores amigos era Jimmy. Como estavam terminando o ensino médio e suas vidas tomariam direções muito diferentes quando fossem para a faculdade, resolveram fazer um jantar de despedida para comemorar a nova fase e também para tentarem ser a exceção à regra que diz que a gente sempre perde contato com os amigos da escola. (Sdds Rasna e Vicente – meus amigos da escola ♥)

O que eles não esperavam é que um carro desgovernado invadisse o restaurante onde estavam e acertasse em cheio na mesa deles. Neste acidente, Rachel acaba ficando pra trás e Jimmy volta para socorrê-la, mas acaba sendo atingido e morre. Cinco anos depois uma das amigas dos tempos de colégio, Sarah, resolve se casar e Rachel volta à cidade natal. Apesar de estarem comemorando uma data super especial para a noiva, todo o grupo se sente realmente estranho na despedida de solteira, pois falta alguém na reunião:Jimmy.

Saindo do jantar, a protagonista resolve passar no cemitério para visitar o túmulo do amigo, onde caba passando mal e desmaia. Quando acorda no hospital, sua vida está totalmente diferente. Seu pai está misteriosamente curado do câncer, ela está noiva do seu namorado da adolescência Matt (foi internada depois de roubarem seu anel de noivado com um baita diamante) e Jimmy está vivíssimo da silva.

Se a Rachel não me cativou, Jimmy roubou meu coração. Ele é um personagem doce, apaixonado e “prótotipo-perfeito-de-perfeição-masculina”. Já Matt é insuportável. Típico menino mimado que acha que pode ter tudo o que quer. Em alguns momentos quis meter a mão na cara dele. Mas, enfim, o conjunto da obra ficou bom.

A partir do momento que ela sai do hospital, inicia uma busca pra provar que ela não está louca e realmente não está noiva de Matt, não é uma jornalista de sucesso, seu pai estava doente e Jimmy morto. Doideira, né? A vida dela tomou o rumo que ela sempre sonhou, mas ela quer provar que não, porque essa não é a vida dela. E quem a ajuda nessa missão? Sim, o amigo que está morto, mas está vivo. rsrsrs

Eu, particularmente não consegui descobrir o final na metade do livro como algumas pessoas dizem. Tive sim desconfianças que se concretizaram, mas não resolvi o mistério completamente, até porque sou metida, li o último paragrafo da última página e imaginei um fim totalmente diferente.

Uma Curva no Tempo é um livro leve, fácil de ler e super-rápido. O tipo de livro pra ler em um fim de semana, descansar a cabeça e se divertir. Em alguns pontos a história me lembra um pouco as da Jojo Moyes, mas nada que se diga “Nooooossa, essa mulher escreve igualzinho”. Enfim, quem gosta deste estilo provavelmente vai curtir a obra. #fikadika

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

***SORTEIO - 6 MESES***

       Esse mês comemoramos 6 meses no ar!!! (Cadê os aplausos?) E o aniversário é nosso... mas o presente é de vocês - aliás, será sorteado entre vocês!
         Isso mesmo que você leu: SORTEADO!
       Começa hoje nosso sorteio comemorativo dos 6 meses de As Garotas de Pemberley. E vamos sortear 2 (dois) exemplares para vocês
       Vamos às regras??

REGRAS OBRIGATÓRIAS
  • Residir em território Brasileiro;
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O sorteiro será realizado no dia 14/09/2015. Serão 2 (dois) contemplados: o primeiro sorteado levará o exemplar de O Diário de Mr. Darcy e o segundo levará o exemplar de Eu Fui a Melhor Amiga de Jane Austen. Então não perca tempo. Corre na nossa fanpage e participe!

domingo, 9 de agosto de 2015

Especial Dia dos Pais

Hoje é um dia especial. Não que ele seja diferente dos outros, com mais ou menos horas, feriado, nada disso. Mas é porque tiramos esse dia para homenagear uma pessoa importante na nossa vida: Nosso(s) pai(s). E sendo assim, vamos falar um pouquinho sobre como nossa querida Jane Austen descreve essa figura em algumas de suas histórias:

Sr. Bennet – Não podemos toma-lo como um exemplo a ser seguido. Também não podemos negar que ele amava as filhas. Amava. Porém não tinha paciência para aturá-las. Para sua felicidade, a época dava-lhe uma boa oportunidade de fuga. E ele usava. Todas. Sempre. Não se preocupava em doutrinar as filhas, discipliná-las, encaminhá-las. Quando as esperanças de um herdeiro se desfizeram, sr. Bennet também se desfez. Não cuidou das despesas, não se inteiros da educação dada as filhas, não possuía pulso firme com as mais novas, e deixava clara a sua preferência pelas mais velhas, em especial por Elizabeth. Sempre irônico, fazia piada de situações as vezes sérias com seu humor ácido. Era um homem rude e sem classe, que se casou com uma mulher frívola e sem noção. Mas vamos admitir: é divertido!!! (Michelle)

Sr. Darcy – A pesar de não ser necessariamente pai, como irmão mais velho era um ótimo exemplo de amor paternal. Desde a morte dos pais, Darcy tomou para si a responsabilidade de cuidar e zelar por sua irmã mais nova, Georgiana. Fazia tudo por sua irmãzinha, tudo para vê-la feliz. Mantinha uma casa confortável, os melhores cômodos eram de uso exclusivo de Georgiana, incentivava-a no piano, nos serviços como anfitriã, em boas amizades, e sempre falava [bem] dela com um sorriso no rosto, um sorriso orgulhoso, como um pai falando dos filhos. (Michelle)

Em Mansfield Park somos apresentadas a dois tipos de pais. Sir. Thomas Bertram, pai de quatro filhos, inicialmente exerce sua paternidade baseada na autoridade, não se envolvendo na formação do caráter de seus filhos e de Fanny. Porém, a chegada destes a fase adulta manifesta as falhas nesse aspecto, principalmente quanto ao filho mais velho e das duas filhas. A percepção da sua negligência o leva se tornar mais aberto ao diálogo. Sua postura na ocasião em que Henry Crawford pede à mão de Fanny mostra um pouco disso, pois apesar de considerar a união vantajosa, Sir Thomas não obriga Fanny a se casar. Por outro lado, o pai biológico de Fanny, Sr. Price, é um pai omisso, mais preocupado com o oficio na Marinha que com os filhos. Nesse livro Jane Austen também chama a atenção para a ausência de uma boa figura paterna para a formação do caráter dos irmãos Crawford, principalmente no caso de Henry. (Aline)

O Sr. Woodhouse é aquele tipo de pai que é tão superprotetor que quase nos mata de raiva. Ele sempre tem um conselho de saúde e nos recrimina por não estarmos tomando os cuidados necessários. Entretanto, no fundo, os papais do tipo Woodhouse estão apenas amando através do cuidado, basta que se consiga enxergar isso e valorizar todos esses (irritantes) gestos de amor. (Raquel)

Sir Walter Elliot o pai de Persuasão é um homem cujo a vaidade é o início e o fim de sua personalidade, fato que o influencia até como tratar as próprias filhas, Elizabeth, Anne e Mary, pelas duas últimas ele não tem tanto apreço por não parecerem com ele, agora Elizabeth é seu tesouro, é como se fossem espelhos um do outro, não sei se ele ama realmente uma delas. Para mim ele não é um exemplo de pai a ser seguido, pq nunca sei se o que ele faz e diz é para benefício próprio ou em algum momento pensou realmente em suas filhas. (Flávia)










FELIZ DIA DOS PAIS!!!